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Rio de Janeiro
Toneladas de peixes agonizam e morrem, na orla da poluída Lagoa de Araruama e pescadores ficam sem trabalho

As medidas tomadas até o momento, pela Prefeitura de São Pedro da Aldeia, foi o de recolhimento de amostra da água, para Prolagos examinar e dizer o motivo da mortandade. Além de proposta de projeto de um milhão de reais, a ser avaliado por comissões e orgãos

24/02/2019 12h31

Na manhã de sábado (23), centenas de animais mortos tomaram as orlas das praias da Lagoa de Araruama, na cidade de São Pedro da Aldeia, litoral do Rio de Janeiro. A Lagoa de Araruama é a maior massa de água hipersalina em estado permanente no mundo com uma área de 220km² e um perímetro de 160km. Estende-se pelos municípios de Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Arraial do Cabo.

Segundo pescadores, o problema foi causado pela poluição da Lagoa, que resulta em falta de oxigênio na água e faz com que os animais busquem as beiras das praias para tentar sobreviver.

“Como vamos fazer agora? Não tem mais como pescar porque ninguém vai comprar peixe”, disse Leonardo Guimarães, morador e pescador da região.

O comandante do Grupamento Ambiental, Roselito dos Santos, relatou ao G1 que a água está muito suja e com um cheiro forte. Além disto, lembrou que situação semelhante aconteceu em 2009, quando centenas de peixes morreram devido à poluição da água. O portal Jusbrasil registrou, na ocasião, que os pescadores responsabilizaram a concessionária de água Prolagos e moveram ação contra a concessionária por jogar esgoto sem tratamento na lagoa. Como protesto, no mesmo período, os trabalhadores despejaram 10 toneladas de peixes mortos na porta da sede da empresa. A resposta da concessionaria a época, foi a de que a culpa da mortandade de peixe teria sido das chuvas que desequilibraram a salinidade da água e afetou os animais, além de qualificar o protesto dos pescadores como violento.

Já na atual ocorrência, a atitude tomada pela Prefeitura de São Pedro da aldeia, em relação a situação da Lagoa, foi a de pedir a coleta e análise de água para a concessionária Prolagos, para só então saberem o motivo da morte dos animais.

Em nota, o governo de Claúdio Chumbinho alega buscar constantemente por ações que levem à despoluição da Lagoa de Araruama. Uma outra resposta do Prefeito seria o anúncio de um pedido de abertura do Canal de Álcalis, o que ajudaria na oxigenação da Lagoa, e portanto amenizaria o problema. A solicitação será encaminhada aos representantes do Governo do Estado e está avaliado até o momento, em 1 milhão de reais. O projeto que ainda precisa passar por algumas comissões e necessita de uma liberação de licenciamento do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) consiste em uma obra para reverter o Canal e efluentes da Álcalis e também cria um campo de plantas aquáticas para evitar passagem dos resíduos. Ademais, prevê a conclusão de proteção da Lagoa de Araruama. Apenas, não se há informação sobre medidas tomadas em relação ou em conjunto com a concessionária, responsável pelo saneamento e abastecimento de água na região, Prolagos. A concessionária, hoje, é a principal responsabilizada pela opinião, dos moradores da Região. O que agrava a desconfiança da população, em relação as providências das autoridades, são ações como a ocorrida em 2013, quando o prefeito de São Pedro da Aldeia foi testemunha a favor da empresa, em processo que determinava a redução das contas de água, de moradores da Região dos Lagos (Processo 0041484-39.2013.8.19.0000).

*Com informações do G1, JusBrasil e Jornal de Brasília.