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Rio de Janeiro
SOS saúde no Rio – Militares são convocados para reestruturação de hospitais federais no Estado

Dentre os seis hospitais federais instalados no Rio, os quais passam por crise no atendimento, está o Hospital Federal de Bonsucesso, com suspeita de envolvimento com milícias

25/02/2019 08h25

O Ministério da Saúde convocou as Forças Armadas para trabalharem na reestruturação do atendimento dos hospitais federais, instalados no Estado do Rio de Janeiro (Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores). Segundo o Ministro, Luiz Henrique Mandetta, uma das medidas que podem ser implantadas, com base na expertise dos militares, seria a implantação de uma central única para compra de medicamentos. “Fazer toda essa engenharia do que é comum e centralizar talvez seja um grande passo que a gente vai dar na economia de recursos públicos e na melhoria do abastecimento”, declarou.

Este tipo de medida também seria uma das estratégias da pasta, para combater situações, nas quais se há suspeita de envolvimento de milícias. Como é o caso do Hospital Federal de Bonsucesso. A unidade é a maior da rede pública do Estado, com capacidade para 15 mil consultas por mês. Diante das investigações, iniciadas por órgãos de controles, há suspeita, nesta unidade, de que o poder de decisão da ordem no atendimento de pacientes seja de milicianos. Desta forma, por determinação dos mesmos, moradores de Seropédica teriam preferência. Além disto, a rede de fornecedores da instituição também seria controlada por estes grupos. Diante da situação, o argumento é de que os militares teriam mais condições de resistir a pressões da milícia e também por isso, ficariam encarregados principalmente da gestão de contratos e recursos.

Importante relembrar que no dia 23 de janeiro, deste ano, Luana Camargo foi exonerada do cargo de diretora do Hospital de Bonsucesso, após denúncias de empregar funcionários que não tinham experiência na área, dando-se as contratações apenas por indicações políticas. Após assumir, como novo gestor, o médico Júlio Moreira Noronha enviou relatório ao Cremerj (Conselho Regional de Medicina), pedindo o fechamento da emergência por 30 dias. Segundo Noronha, a interdição ética deveria ser motivada pela inauguração do setor de CTI, realizada pela gestão anterior, sem médicos suficientes. Agravando a situação o quadro de pacientes internados em cadeiras de plástico, CTI sem especialistas, superlotação e problemas na infraestrutura.

A previsão atual é de que, no hospital de Bonsucesso, os militares ocupem seis diretorias subordinadas ao diretor do corpo clínico. Os nomes escolhidos já foram submetidos a avaliação do presidente, Jair Bolsonaro, e aguardam aprovação.