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Rio de Janeiro
Pró-Saúde é acusada de desviar mais de R$ 90 milhões da Saúde Pública Carioca

Ex-diretor da OS multiplicou patrimônio em cinco (5) vezes, segundo investigação

18/05/2019 15h46

A Lava Jato, que atualmente investiga esquemas de corrupção no Rio, acusou a Pró-Saúde, OS (Organização Social) que prestou serviço para o governo estadual do Rio de Janeiro, de desviar mais de R$ 90 milhões adjunto ao governo de Sérgio Cabral. Entidade essa que também é ligada à Igreja Católica.

O conluio de corrupção foi descoberto em um braço investigativo da Lava Jato, a chamada Operação Fratura Exposta, que descobriu desvios milionários na gestão do antigo Secretário de Saúde, Sergio Cortes e do ex-governador Sérgio Cabral.

Segundo a PF (Polícia Federal), o esquema se deu início em 2013, ano em que aconteceu a Jornada da Juventude no RJ.

Segundo Executivo da Pró-Saúde, a OS fechou acordo com empresário Miguel Skin. Era o mesmo que fazia as indicações das empresas que iriam negociar esquemas com a Secretaria de Saúde.

Continuando assim, segundo Miguel Skin, o acerto final ficou em 10% de repasse de cada contratado, tendo com a Pró-Saúde vinte hospitais em sua posse administrativa. Hospitais esses como o HEGV (Hospital Estadual Getúlio Vargas), (HMAS) Hospital Municipal Albert Schweitzer, HEAPN (Hospital Estadual Adão Pereira Nunes), HEAT (Hospital Estadual Alberto Torres), HMRC (Hospital Municipal Rocha Faria), HEJBC (Hospital Estadual João Batista Caffaro) e o IECérebro (Instituto Estadual do Cérebro).

O funcionamento do esquema foi feito da seguinte forma:
Dinheiro da Manutenção dos Hospitais; Compra de Medicamentos; Pagamento de Pessoal era repassado para OS;

Miguel Skin indicava os fornecedores;
No momento dos pagamentos a Pró-Saúde informava a Miguel Skin o valor da propina que deveriam pagar ao próprio para repassar aos políticos.

Após entrega de documento comprobatória pelo delator, a OS recebeu entre Julho e Outubro de 2013 o valor de R$ 1.154.400,61.

Outros executivos da entidades, que também ganharam delação premiada disseram que pode chegar facilmente ao valor de R$ 1,5 bilhão na soma dos valores de 2015. O mesmo declarou que o RJ foi responsável por 60% do faturamento da Pró-Saúde.

O ex-governador Sergio Cabral confirmou ter ciência de todo esquema, em seu depoimento deste ano em Fevereiro.

Disse Sergio Cabral,  “Eu não tenho dúvida que deve ter havido esquema de propina com a OS da igreja católica, da Pró-Saúde. Eu não tenho dúvida, o Dom Orani devia ter interesse nisso.”

Dom Orani João Tempesta é o Arcebispo do RJ e o ex-padre Wagner Portugal era o braço direito dele, adjunto também a função de Diretor de Relações Institucionais da Pró-Saúde.

O ex-padre Wagner Portugal, também ex-diretor da Pró-Saúde, comprou nove (9) fazendas em Boa Esperança, Minas Gerais, que estão avaliadas em torno de R$ 4 milhões. As aquisições houveram, logo após assinatura de contrato entre o Estado e a OS no Rio de Janeiro. O patrimônio de Wagner chegou a ser cinco (5) vezes maior em pouquíssimo tempo.

Wagner Portugal, após ser preso, assinou acordo de delação premiada. Sendo denunciado pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) pelos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A investigação também acontece em outros estados que a Pró-Saúde atua junto aos governos contratantes.

Foi constatado que  presidente da Pró-Saúde, Bispo Eurico Veloso também teve um aumento significativo de seu patrimônio na mesma época que houve o esquema de corrupção. Entre 2013 e 2017, o religioso comprou três (3) apartamentos em Juiz de Fora, Minas Gerais, sendo avaliados em mais de R$ 1,3 milhões.

O ex-governador em sua mesma delação de Fevereiro apontou envolvimento de religiosos no esquema.

Disse ele, “Essa Pró-Saúde, certamente, tinha esquema de recursos que envolvia inclusive religiosos…”.

A OS Pró-Saúde negou todas as acusações e disse que contribui com as investigações de forma incondicional.

A defesa de Miguel Skin disse que ele somente indicava os fornecedores, porém não recebia dinheiro algum.

A defesa de Sérgio Cortes afirmou que o ex-secretário não tem mais relação com a Organização Social e com a Secretaria de Saúde.

Fonte:
https://recordtv.r7.com/jornal-da-record/videos/lava-jato-investiga-desvios-de-verba-da-saude-publica-do-rj-ligados-a-igreja-catolica-06052019

Funcionário público, discente da UFRJ/Macaé, editor e correspondente MBL News - RJ, também apaixonado por economia, filosofia e cerveja.