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Rio de Janeiro
Perigo à espreita na ALERJ: PT é o favorito das eleições para a presidência da Casa

Ceciliano encontra-se enrolado até o pescoço em acusações de corrupção e, assim como Calheiros, é um representante caricato da mais velha política

25/01/2019 17h55

O parlamento fluminense seguiu a tendência de renovação do cenário nacional nas eleições de 2018: 36 dos 70 deputados estaduais eleitos (51,43%) pelo Rio de Janeiro são marinheiros de primeira viagem. O mesmo fenômeno pôde ser observado no Poder Executivo: o juiz Wilson Witzel, um completo anônimo perante os olhos da maioria dos eleitores, foi o vencedor do pleito para o governo do estado.

No entanto, remando contra a maré, na direção oposta desse desejo por ruptura tão claramente manifestado pelo povo nas urnas, surge o favoritismo da candidatura do petista André Ceciliano. A possibilidade é extremamente preocupante, tão ameaçadora para o Rio quanto seria a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado Federal.

Ceciliano encontra-se enrolado até o pescoço em acusações de corrupção e, assim como Calheiros, é um representante caricato da mais velha política, das mais velhas práticas que enojaram o Brasil nas últimas décadas e araram o terreno para a contrarrevolução do establishment político que estamos vivendo atualmente. É isso que pretendo expor neste artigo.

O drama da disputa pelo posto de presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro começou em novembro do ano passado, quando sete deputados estaduais foram presos pela Operação Lava Jato, após a investigação de “mensalinhos”, benefícios como, por exemplo, propinas que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil, recebidos pelos parlamentares em troca de que votassem de acordo com os interesses do governo.

Dentre os presos, está o deputado André Corrêa (DEM), que, de acordo com a denúncia, recebia o valor máximo dos “mensalinhos” mais bônus. Corrêa já havia comunicado publicamente o seu interesse em disputar a presidência da ALERJ. Atualmente, ele é um dos seis deputados que estão cumprindo pena, mas – pasmem – foram eleitos para a nova legislatura.

À época em que as prisões ocorreram, a concorrência pela presidência da assembleia se limitava entre o deputado do DEM e o presidente em exercício André Ceciliano (PT), que assumiu após a prisão do ex-presidente da Casa Jorge Picianni (MDB) e de mais dois deputados do mesmo partido por suspeitas de favorecimentos ilícitos para empresários de ônibus.

Após a prisão de André Corrêa, o deputado Márcio Pacheco (PSC) declarou interesse em disputar o comando da Casa. Pacheco perdeu, porém, o importante apoio do PSL à sua candidatura, uma vez divulgado o recente famigerado relatório do COAF, que apontou o seu nome na 3ª posição da lista de maiores valores (R$ 25,3 milhões) em movimentações atípicas nas contas bancárias de funcionários de gabinete.

Quem é André Ceciliano, do PT?

Confira uma lista com 7 dos maiores podres da história de André Ceciliano.

1) Segundo o mesmo relatório do COAF (o mesmo que deu visibilidade inicial ao Caso Queiroz), quatro assessores do deputado petista movimentaram cerca de R$ 49 milhões — valor que encabeça a lista — em suas contas bancárias. Uma funcionária do gabinete de Ceciliano fez transações numa conta do Banco Itaú em Paracambi (município do qual Ceciliano foi prefeito por dois mandatos) de R$ 26.510.942 entre 2011 e 2017, sendo que o salário líquido da funcionária era de apenas R$ 5.124,62.

2) Ceciliano é réu na Justiça Federal por fraude à licitação na compra de ambulâncias para Paracambi na chamada “Máfia dos Sanguessugas”. Há também acusação de crime de responsabilidade referente ao mesmo caso por se apropriar de repasses do Ministério da Saúde.

3) O MP-RJ acompanhou um mandado de busca e apreensão na Câmara Municipal de Paracambi contra André Ceciliano, por crime de uso de documento falso, na época em que o parlamentar era prefeito da cidade. Segundo a acusação, o deputado apresentou um texto falso de lei orçamentária municipal, com o objetivo de tentar escapar da fiscalização do TCE-RJ. Mesmo diante de inúmeras requisições, a Câmara de Paracambi não enviava os autos originais do processo do tribunal, onde o texto falso foi inserido.

4) Um dos chefes de uma máfia que fraudava vistorias do DETRAN, Ricardo Loroza de Rezende, tem fortíssima ligação com Ceciliano. A quadrilha cobrava propina de motoristas para regularizar documentos de licenciamento de veículos sem vistoriá-los. Loroza, nomeado em 8 de abril de 2011 para a chefia do DETRAN de Paracambi, era um protegido do petista André Ceciliano e atuou na sua campanha eleitoral de 2010. Além de ceder instalações de um posto de gasolina em Paracambi, de sua propriedade, para alojar o comitê de campanha, fez uma doação de R$ 15.721 para o candidato. Na cidade, Loroza é apontado como o arrecadador da campanha eleitoral do deputado Ceciliano. Em junho, depois da nomeação para o DETRAN, viajaram juntos para a Disney World, na Flórida, além de terem desfilado abraçados na Acadêmicos do Cubango no carnaval de 2007.

5) Ceciliano foi testemunha de defesa dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (todos do MDB), em investigação da Operação Cadeia Velha (um braço da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro). Os três são réus sob a acusação de receber propina de empresas do setor de transporte para beneficiá-las em pautas de interesses das mesmas na ALERJ. Além disso, quando surgiu a oportunidade, Ceciliano foi um dos que votou a favor da soltura dos emedebistas — sob vaias do MBL-RJ, que, na ocasião, esteve presente se manifestando a favor das prisões.

6) O MPF pediu a condenação de Ceciliano por improbidade administrativa devido ao uso de recursos federais em obras de recuperação do município de Paracambi, quando Ceciliano era prefeito, após enchentes no ano de 2001. A Prefeitura firmou convênio com a União para obras de até R$ 568 mil, que foram executadas pela Ônix Serviços, empresa contratada, segundo o MPF, com dispensa ilegal de licitação.

7) Há suspeitas de que o deputado André Ceciliano poderia ter se beneficiado do controle no envio de carros-pipa da CEDAE para redutos eleitorais em troca de votos. A investigação faz parte da Operação Furna da Onça, outro desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Enfim, como todo bom petista, André Ceciliano não é flor que se cheire. Isso fica mais do que claro para qualquer um com o mínimo de honestidade intelectual que analise a vida pregressa do deputado.

Todos os fatos listados acima corroboram a tese inicial do artigo: Ceciliano representa o fisiologismo, o patrimonialismo e tudo que há de pior na velha política. Sua eleição é um sinônimo de retrocesso. A volta do PT ao poder é a última coisa da qual o nosso já tão alvejado estado precisa.

Alternativas à direita

Dentro do espectro de uma direita “lato sensu”, há a candidatura do deputado Chicão Bulhões (NOVO). Outros deputados do PSL também chegaram a sinalizar suas possíveis candidaturas à presidência da assembleia, mas, até o presente momento, não houve nenhum tipo de confirmação, como é o caso do deputado Rodrigo Amorim, o mais votado do estado.

Em suas redes sociais, Bulhões afirma que “sua principal bandeira é o empreendedorismo como forma de fomentar a economia do estado, por meio da desburocratização e da simplificação de tributos”. O deputado também diz defender a “transparência no poder público e maior participação da sociedade junto às decisões do Legislativo”.

O NOVO tem 2 representantes eleitos para a próxima legislatura: além do próprio Chicão Bulhões, o deputado Alexandre Freitas. O PSL conta com a maior bancada da Casa: 13 deputados. Se algum desses nomes quiser chegar à vitória, será, portanto, necessária a articulação com o Centrão.

No próximo domingo (27 de janeiro), o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua estarão se manifestando no Rio de Janeiro contra as candidaturas de André Ceciliano e Renan Calheiros às presidências, respectivamente, da ALERJ e do Senado Federal. O início do ato será às 10 horas da manhã, na Praia de Copacabana, altura em frente à Rua Miguel Lemos.

23 anos, professor de matemática e coordenador do MBL na cidade do Rio de Janeiro.