Rio de Janeiro
“Nós estamos na política de Duque de Caxias há 40 anos” diz Fernandinho Beira-Mar

Em entrevista ao programa Câmera Record, traficante revela como tem influência direta na política de Duque de Caxias, desde funcionários da câmara, até apoio a Deputados

01/05/2019 10h49

Condenado a mais de 200 anos de prisão por tráfico internacional de drogas, armas, homicídios e outros crimes; Luiz Fernando da Costa, de 51 anos, mais conhecido como Fernandinho Beira-Mar, é considerado um dos integrantes da facção criminosa comando vermelho mais perigosos, ainda vivo.

O traficante reside no presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Segundo ele, sua família é envolvida na política de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – RJ, há aproximadamente 40 anos.

“A minha família trabalha na Câmara há mais de 30 anos. Por que só agora vem falar?” A declaração foi dita em entrevista ao programa Câmera Record, da TV Record, no fim da noite de domingo. Sem citar nomes, o líder do Comando Vermelho (CV) afirmou que já encontrou com diversos políticos, desde vereadores até governadores.

Não é de agora que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) investigam o envolvimento do criminoso na política da cidade de Duque de Caxias. Em 2017, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Epístola” autorizada pela 3º Vara Federal de Porto Velho.

O nome da operação se deu pela forma como Beira-Mar se comunicava com operadores fora da cadeia, por meio de bilhetes. De acordo com a PF, Beira-Mar comandava de dentro do Presídio de Segurança Máxima de Porto Velho (RO), uma quadrilha que atuava no tráfico de drogas e outras atividades, controle de máquinas de caça-níquel, venda de botijões de gás, cesta básica, mototáxi, venda de cigarros e até o abastecimento de água.

À época, descobriu-se que Elizete da Silva Lira, ex-mulher; a atual companheira de Beira-Mar Jacqueline da Costa; a sua sogra Edite de Moraes, a irmã do traficante Alessandra da Costa e dois filhos de Beira-Mar, Luan e Felipe da Costa eram assessores de vereadores da Câmara de Vereadores de Duque de Caxias e davam expedientes esporadicamente no local.

Atualmente, todos estão presos. Durante a entrevista, o bandido foi perguntado como atua para conseguir infiltrar parentes na administração da cidade. Sem pestanejar, Beira-Mar foi enfático: “Não é proeza, se você é um candidato à deputado estadual, por Duque de Caxias, você vai procurar (votos) na comunidade que eu nasci e me criei, para você entrar ali (para pedir votos), os traficantes que estão lá, alguns, são meus amigos. A verdade é a seguinte: você só entra se tiver um conhecimento que te leve lá dentro”, detalha o criminoso, “depois que você é eleito, você tem que manter aquilo, que é sua base de apoio (eleitoral). Como você mantém aquilo? Você escolhe uma pessoa da comunidade e dá um cargo para aquela pessoa”, explicou detalhando como funciona a ligação entre o crime organizado e a política da principal cidade da Baixada Fluminense.

Indagado se sente culpa de ter colocar os familiares no tráfico e, consequentemente, atrás das grades, Beira-Mar é enfático: “Essa é a maior culpa da minha vida. Tive 100% de culpa (nas prisões). Isso daí, foi um dos fatores preponderantes para eu mudar de vida. Não aguento mais ver a minha família sofrer por minha causa. Cheguei no meu limite”.

Em nota, a Câmara Municipal de Duque de Caxias afirmou que “as nomeações de funcionários comissionados dos gabinetes ficam à cargo de cada vereador e, por isso, desconhece relações e vínculos dos indicados”. Ainda segundo o comunicado, “em 2017, quando apontado pelo Ministério Público o vínculo de funcionários com Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, a Câmara prontamente exonerou a todos, de acordo com a determinação do MP”.

Fonte: O Dia, R7.com