fbpx
Rio de Janeiro
Incêndio do Ninho do Urubu – Fracassa negociação pelo valor de indenização a famílias de vítimas

A Defensoria Pública do Rio informou em nota que “esgotadas todas as tentativas”, o Flamengo “recusou-se a celebrar um acordo de reparação” . Famílias recorrerão a vias judiciais

20/02/2019 09h25

No dia 08 de fevereiro, um incêndio, no Ninho do Urubu, deixou dez mortos e três feridos (um dos sobreviventes segue hospitalizado). As vítimas eram atletas da categoria de base que dormiam no local, e tinham entre 14 e 17 anos. Segundo o G1, tanto a Prefeitura do Rio quanto o Corpo de Bombeiros afirmaram que o CT do Flamengo tem pendências no licenciamento. De acordo com o município do Rio, o clube já recebeu 13 multas por falta de licenciamento, tendo pago apenas 10 destas.

O CEO do Flamengo, Reinaldo Belotti, chegou a declarar que o incêndio teria sido causado por picos de energia, após o temporal ocorrido no Rio, na noite de quinta-feira (07). Na opinião de Belotti, a instabilidade poderia ter gerado um curto-circuito no ar-condicionado. Entretanto, logo em seguida, a concessionária de energia da cidade, Light, declarou em nota, que na véspera do incêndio, o fornecimento de energia no CT já havia sido normalizado e não houve mais registro de oscilação de energia, naquele local.

Fato é que o quadro atual é o da não possibilidade de um acordo entre o Flamengo e o MP, sobre o valor da indenização a famílias das vítimas. Nesta terça-feira (19), a Defensoria do Rio informou em nota que “esgotadas todas tentativas, o Flamengo recusou-se a celebrar um acordo de reparação”. Já o Clube afirma ter oferecido valor acima dos padrões, em situações parecidas, utilizando o incêndio da boate Kiss, ocorrido em 2013, como parâmetro.

Com a não solução de um acordo, as indenizações serão definidas por meios judiciais. Ainda nesta quarta-feira (20), a Defensoria Pública começa o atendimento de orientação às famílias dos jogadores, sobre as medidas a serem tomadas, na busca de reparação pelas perdas do incêndio no CT do Flamengo.

A resposta do Flamengo

O Clube de Regatas do Flamengo, em relação às tratativas com o MP-RJ, a Defensoria Pública e o Ministério Público do Trabalho, esclarece que:

– No primeiro dia do trágico acidente, o Flamengo tomou a iniciativa de procurar as autoridades e se pôr à disposição para, independentemente das investigações acerca de culpa, indenizar as famílias de seus jovens atletas no menor prazo possível.

– Para este fim, o Clube se prontificou a participar de um processo de composição amistosa. Trouxe familiares da vítimas para o Rio de Janeiro, com o objetivo de que estes pudessem se reunir com a Defensoria Pública e, assessorados por ela, tivessem a oportunidade de participar diretamente do processo amistoso de negociação.

– Paralelamente, o Flamengo participou de reuniões com as autoridades, buscando estabelecer critérios comuns para a negociação.

– Nestes encontros, foi solicitado ao Clube que este apresentasse uma proposta de valor que pudesse balizar as conversas. Isso foi feito, embora não atendesse ao princípio de uma mediação aberta.

– Nesta terça-feira (19), após reunião com autoridades daqueles órgãos, o Flamengo – independentemente de processo judicial – ofereceu, por fim, um valor que está acima dos padrões que são adotados pela Justiça brasileira, como forma de atender com brevidade as famílias de seus jovens atletas.

– O Flamengo teve o cuidado de oferecer valores maiores dos que estão sendo estipulados em casos similares, como, por exemplo, o incêndio da boate Kiss, ocorrido em 2013. Até hoje, vale lembrar, famílias não receberam a indenização.

– A atuação do Flamengo, no Brasil, é praticamente inédita, até onde se tem notícia.

– Diante disso, o Flamengo reitera o propósito de se antecipar e informa que vai instaurar procedimento de mediação no Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, coordenado pelo Desembargador Cesar Cury, e para o qual convidará as famílias – e deixando claro que as autoridades também serão convidadas.