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Análise Econômica
Gazeta do Povo: Como Hayek previu o colapso da Venezuela há 75 anos

“a busca de alguns dos ideais mais estimados. . . [produz] resultados totalmente diferentes daqueles que esperávamos. ”

01/05/2019 09h33

“A Venezuela é uma catástrofe humana. A evidência é cruelmente visível e não pode ser explicada pelos defensores da tirania. Muitas pessoas apaixonadas por teorias desmascaradas há tempos nutriam grandes esperanças de que na Venezuela — apesar da enorme evidência histórica e empírica demonstrando o contrário — a promessa do socialismo funcionaria, não haveria perda de liberdades ou o país entraria em colapso.

Olhando para o século 20, deveríamos nos voltar para alguns dos mais proeminentes pensadores que viveram em condições semelhantes e dissecaram suas experiências para que nós aprendêssemos algo. A crise da Venezuela é um bom exemplo das duras lições aprendidas por uma geração, mas esquecidas pela geração seguinte.

Em 1944, Friedrich Hayek advertiu em ‘O Caminho para a Servidão” que a tirania inevitavelmente ocorre quando um governo exerce controle total da economia através do planejamento central. Mais de meio século depois, começando com a revolução de Hugo Chávez, a Venezuela iniciou seu próprio caminho para a servidão, expropriando milhares de empresas e até indústrias inteiras.

As companhias mais afortunadas partiram antes que fosse tarde demais, enquanto os negócios que restavam foram entregues aos militares venezuelanos, sob cuja supervisão eles foram negligenciados até virar ruínas. Numa típica demonstração de guerra de classes, o governo publicamente tratava os donos de empresas como antipatrióticos, gananciosos lacaios dos interesses americanos, alegando que a pobreza na Venezuela tinha sido um resultado direto de sua existência.

O Chavismo criou uma atmosfera de desconfiança em que ninguém se sentia seguro o suficiente para investir na Venezuela. Mais importante, os tribunais não eram mais o lugar para receber reparação. Desde 1999, o Judiciário venezuelano foi sistematicamente empilhado com juízes leais ao executivo.

Vinte anos após o socialismo se apossar do país, a Venezuela atingiu o fundo do poço em todos os índices possíveis de desenvolvimento. Hoje, 90% dos venezuelanos vivem abaixo da linha da pobreza e as taxas de inflação ultrapassam 1 milhão por cento. Um número recorde de crianças está morrendo de desnutrição, e quase todos os hospitais do país estão inoperantes ou precisam de suprimentos médicos básicos. As freqüentes quedas de energia em todo o país deixaram, às vezes, até 70% da Venezuela no escuro. A agenda socialista de Chávez pretendia estar a serviço de toda a nação, mas, como Hayek nos lembra, “a busca de alguns dos ideais mais estimados. . . [produz] resultados totalmente diferentes daqueles que esperávamos. “

Texto: Gazeta do Povo

Coordenador estadual do MBL no Rio de Janeiro, Estudante de Gestão Pública e defensor da Vida, liberdade e propriedade.