Política
Temer dá adeus à carreira política: “Já fui tudo”

Ex-presidente diz que já ocupou todos os cargos possíveis e não pretende mais se candidatar.

15/02/2020 09h34

O ex-presidente Michel Temer (MDB) decidiu encerrar sua carreira política. “Eu já fui tudo”, disse ao portal UOL Notícias, ressaltando que já ocupou todos os cargos possíveis e que não pretende mais concorrer. “A essa altura, eu não tenho nenhuma intenção [de ser candidato]. Até porque, quem chegou à Presidência da República, em primeiro lugar, não pode ocupar outro cargo. Em segundo lugar, tem que ser de uma discrição absoluta. O que eu tenho procurado fazer”.

Falando sobre sua carreira, o ex-presidente admite um arrependimento: a conversa com Joesley Batista. O empresário da JBS gravou sua conversa com o então presidente e a divulgação do conteúdo gerou grande crise com expectativas de que ele renunciasse. “Não renunciarei, repito, não renunciarei!”, disse em pronunciamento.

Ele alega que não cometeu nenhuma irregularidade e que seu arrependimento se deve ao prejuízo que a repercussão da gravação teve ao seu Governo. “Se você perguntasse, ‘do que você se arrependeu?’ Acho que me arrependi de receber esse sujeito. Embora não tivesse a menor ideia, embora recebesse muitos [empresários]. Porque, as vezes, a pessoa diz assim: ‘mas você recebeu às dez e meia da noite’. Meu caro, você acha que o presidente trabalha das 8 até 6 horas da tarde?”

Lava Jato

Temer foi preso em um dos desdobramentos da Operação Lava Jato, em março do ano passado, suspeito de ter recebido propina de R$ 1,1 milhão de um contrato da Eletronuclear, estatal responsável pela construção de Angra 3. O ex-ministro Moreira Franco e o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho também foram detidos. O ex-presidente foi preso pela segunda vez por causa da mesma situação sob suspeita dos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público. Ele refuta as acusações e diz que vai provar inocência.

A carreira de Michel Temer

  • 1981: filiou-se ao PMDB
  • 1983: foi nomeado procurador-geral de São Paulo
  • 1985: então secretário de Segurança Pública de SP, criou a primeira Delegacia da Mulher do Brasil
  • 1987: na condição de suplente, assumiu vaga de deputado federal depois da licença de Tide de Lima em 16 de março, tornando-se constituinte
  • 1992: voltou a ocupar o cargo de secretário de Segurança Pública de SP, seis dias depois do massacre do Carandiru
  • 1994: eleito deputado federal, posição que ocupou até 2010, após três reeleições, tendo sido presidente da Câmara dos Deputados em três oportunidades
  • 2010: eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT), sendo reconduzidos na eleição seguinte
  • 2016: Senado instaurou o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), e Temer assumiu interinamente a Presidência do País
  • 2019: entregou a faixa presidencial ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido)
  • 2020: anunciou que não vai concorrer em eleições

Fonte: UOL Notícias.

Advogada. Apaixonada pelo direito ambiental. Viciada em política. Humilde - e levemente sarcástica - proprietária do Blog da Azedinha.