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Segurança Pública
Polícia é acusada de preparar emboscada onde nove pessoas morreram pisoteadas

Um menino de apenas 14 anos está entre as vítimas fatais.

02/12/2019 06h58

A ação da polícia ocorreu em um baile funk na madrugada do último domingo (1º), em Paraisópolis, uma comunidade da Zona Sul de São Paulo, e ao menos nove pessoas acabaram morrendo pisoteadas, enquanto outras 12 ficaram feridas.

Segundo informações da Polícia Militar, era deflagrada a Operação Pancadão quando dois homens em uma motocicleta dispararam contra os policiais, seguindo em direção ao baile funk. Lá, foram recebidos com pedradas e garrafadas, acionando as equipes da Força Tática na tentativa de dispersar a multidão. Estima-se que haviam cerca de 5 mil pessoas no local.

“Policiais militares pararam duas pessoas em uma moto. Eles entraram onde estava ocorrendo a festa e continuaram atirando nos policiais. Em decorrência desse tiroteio, houve um efeito manada, teve uma viela com escadaria, e as pessoas pisotearam umas nas outras”, afirmou o delegado Emiliano da Silva Neto, do 89º DP ao G1.

O delegado disse ainda: “Nove morreram. Todas elas estão com graves lesões de pisoteio, não tem nada de perfuração ou alguém atingido por projétil de arma de fogo.”

A mãe de uma adolescente que ficou ferida durante o tumulto no baile funk, em contrapartida, culpa a polícia pelo ocorrido, acusando-os de terem preparado uma emboscada para os adolescentes presentes no local.

“É uma rua com duas ou três saídas. Eles [policiais] fecharam e coagiram. Atiraram com arma de fogo – não só com bala de borracha. Bateram com cassetete, fora [o uso de] spray de pimenta. Eles [os frequentadores do baile funk] estavam só curtindo”.

A mãe da adolescente prosseguiu:

“Os policiais fecharam a rua. Teve corre-corre, pisoteamento de adolescente. Gás de pimenta, bala de borracha, e ainda estavam agredindo pessoas. Foi um policial que tacou garrafa de vidro na minha filha.”

Entre as nove vítimas fatais do tumulto, três são adolescentes, e o mais novo tinha apenas 14 anos. Ainda na noite de domingo, familiares das vítimas e moradores da comunidade se manifestaram contra a fatalidade.

O governador de São Paulo, João Doria, lamentou o ocorrido e solicitou uma apuração rigorosa dos fatos. Independente dos motivos que levaram ao fatídico desfecho, é uma tragédia muito grande e os responsáveis devem ser punidos.

Liberal sem paciência para extremos. Críticas e afins: @maiarapiva no Twitter.