fbpx
Justiça
Parece piada: procurador de MG reclama de salário de R$ 24 mil: “Nós vamos virar pedinte?”

Que dó do rapaz.

09/09/2019 14h47

O serviço público brasileiro vive uma realidade paralela. Uma ilha da fantasia. O radar da Veja publicou hoje a sofrida história de um procurador do MP de Minas Gerais que ganha “apenas” R$ 24 mil mensais.

Os procuradores discutiam o orçamento de 2020 e o pedido de recuperação fiscal do estado. Caso o Estado assine o acordo, não haverá reajuste para o funcionalismo, incluindo o MP.

Em um áudio vazado, o procurador Leonardo Azeredo dos Santos fez um apelo ao procurador-geral de Justiça, Antônio Sergio Tonet.

“É um salário relativamente baixo, sobretudo para quem tem mulher e filho. Quando a gente não tem mulher e filho, o dinheiro sobra. Quanto mais filho, então… vossa excelência tem dois filhos, tem que pagar pensão, tem que colega que tem três filhos e tem que pagar pensão a ex-mulher. Então, como é que o cara vai viver com 24.000 reais?”, diz.

Prossegue: “Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se vossa excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade, para melhorar nossa situação. Ou se vamos ficar nesse mizerê aí”.

Que vida tão sofrida a do rapaz, não é? E não para por aí:

“Estou fazendo a minha parte. Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 (mil), para poder viver com os meus R$ 24 mil. Agora, eu e vários outros, já estamos vivendo à base de comprimidos, à base de antidepressivo. Estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos sertralina por dia, tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito. Imagine se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. Vamos ficar desse jeito? Nós vamos baixar mais a crista? Nós vamos virar pedinte, quase?”

Chega a ser piada este tipo de coisa. Num país com 12 milhões de desempregados e metade da população com no máximo 2 salários mínimos de renda, um procurador chorar por causa de um salário de R$ 24 mil é um tapa na cara dos pagadores de impostos.

O Brasil precisa é de uma reforma salarial no serviço público. R$ 24 mil ainda é muito.