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Editorial
O ministro laranjeiro precisa cair

Cabe ao presidente Jair Bolsonaro — em nome da coerência — afastá-lo do cargo

20/02/2019 12h42

A presença de deputados do PSOL vestindo jalecos laranja, e servindo a dita-cuja como aperitivo na apresentação da Previdência à Câmara, na manhã desta quarta-feira (20), acendeu um alerta: a narrativa colou.

O que era um tumor localizado em Minas Gerais, logo se espraiou para Pernambuco, lar de Luciano Bivar. O dono do cartório — e podemos chamar o PSL de algo além disso? — parece ter se lambuzado no agridoce da fruta; resta o sabor amargo das investigações que ainda circundam a fina casca de credibilidade da legenda.

Espasmos de denúncias similares pipocam por outros estados; Bibo Nunes, do Rio Grande do Sul, antecipou-se às manchetes e trouxe ao público as heterodoxias do partido em seu estado. Jogou tudo no colo de Bebianno. Comenta-se a existência de casos similares no Paraná e em São Paulo — este o maior produtor nacional da fruta.

A agonia pública da exoneração de Bebianno — que fez do fruto tema para crise — adoçou a boca de uma oposição acostumada a ser achincalhada como corrupta. A acidez dos comentários do primeiro-filho — curiosamente chamado de 02 — colocou na ordem do dia o combate ao laranjismo no governo federal. Ao menos nisso acertou Carlos, ainda que involuntariamente.

Somam-se as evidências de práticas pouco republicanas no laranjal mineiro. Dia após dia, manchas de seu suco aparecem na camisa do ministro do Turismo, Marcelo Antônio. Desconhecemos a harmonização da laranja com o feijão tropeiro; até por isso, o ministro tem muito a explicar. Para a justiça. E que não venha com conversa de “Vitamina C”.

Cabe ao presidente Jair Bolsonaro — em nome da coerência — afastá-lo do cargo enquanto as investigações acontecem. As teorias conspiratórias envolvidas no caso Bebianno — os prosélitos do bolsonarismo falavam até em tentativa de impeachment — denotam a gravidade do tema para o Palácio do Planalto.

Natural que a mão que espremeu Gustavo também esprema Marcelo. É o que esperamos. Se o ministro se deleitou com néctar da fruta, não será o governo a engolir seu bagaço. Caso contrário, o gosto amargo ficará na boca não só do presidente, mas do ministro Sérgio Moro e de todos os que saíram às ruas contra a corrupção.

Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.