Governo
Nota original do Itamaraty sobre a morte de Soleimani era ainda mais dura

Nota original escrita por Ernesto Araújo era ainda mais agressiva e mencionava ataques dos anos 90.

13/01/2020 08h00

A nota do Itamaraty endossando o ataque aéreo dos Estados Unidos que levou a óbito do general da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, não era a versão original escrita pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Embora a nota divulgada no último dia 03 tenha sido suficiente para gerar estremecimentos entre os Brasil e o Irã, aponta-se que a versão original foi escrita em um tom muito mais acusatório.

No dia seguinte ao ataque aéreo americano a um aeroporto em Bagdá, no Iraque, que levou a óbito o comandante das Forças Quds, além de membros de uma milícia iraquiana, o Ministério das Relações Exteriores apoiou a ação, defendendo o combate “ao flagelo do terrorismo”. A nota ainda dizia que o terrorismo “não é um problema restrito ao Oriente Médio”, e “que afeta inclusive a América do Sul”.

No domingo seguinte ao pronunciamento do Itamaraty (05), o Governo iraniano pediu explicações sobre a referida nota, o que gerou um certo estremecimento, e fundado receio de que as relações comerciais com o Irã pudessem ser afetadas pela forma passional como a ala ideológica do Governo Bolsonaro decidiu lidar com a questão, apesar das advertências da ala militar, que recomendava um posicionamento neutro ao Brasil.

Ocorre que a nota original do ministro Araújo era ainda mais agressiva, mencionando os ataques terroristas que ocorreram nos anos 90 em Buenos Aires, na Argentina, e acusando a Nação iraniana de tê-los patrocinado. Esse episódio ainda gera dúvidas à própria Argentina, razão por que jamais deveriam ser cogitados em um pronunciamento oficial do Governo. O que reduziu o tom da nota foi a sua passagem pelo Ministério da Defesa, onde os auxiliares do Governo editaram o comunicado em um tom mais ameno.

Não cabe ao Brasil se posicionar nos conflitos entre EUA e Irã. Não há poder bélico ou interesse econômico que justifique ao País tomar partido nesse conflito. O presidente da República, Jair Bolsonaro, assumiu o seu mandato prometendo que negociaria com todos os Países, sem ideologias. Infelizmente, parece que esqueceram de avisar o ministro das Relações Exteriores.

Fonte: Folha de São Paulo.

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