Maduro importa tecnologia de controle social da China

Anunciado em 2017, o cartão da pátria é um documento com tecnologia chinesa capaz de levantar diversas informações sobre o cidadão venezuelano

Venezuela
 10 de fevereiro de 2019 | 11h35
Por André Valeriano

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, está importando da China a tecnologia de controle social, o que permite ao chavismo monitorar dois terços da população da Venezuela, informa o Estadão deste domingo (10).

A importação dessa tecnologia de monitoramento chinês foi anunciada ainda em 2017 pelo ditador venezuelano para conseguir localizar opositores ao seu regime. Com ela, o governo pode levantar informações de qualquer pessoa sobre gastos com, retirada de comida e hábitos de internet, a partir do cartão da pátria, documento com a tecnologia chinesa criado pelo regime chavista para vigiar a população.

Já não é a primeira vez que um país importa esse tipo de sistema da China.
Nos últimos dois anos, a China exportou sua tecnologia para países democráticos, como Alemanha, França e Argentina. Mas seus clientes mais assíduos têm sido regimes mais autoritário como a própria Venezuela, Rússia, Azerbaijão, Armênia, Irã, Turquia, Paquistão, Ruanda e Quênia.

Quem desenvolveu o novo sistema usado no cartão da pátria foi a gigante chinesa ZTE. A empresa chinesa tem um longo histórico de controvérsias. Os EUA já aplicou sanções e proibições para a empresa, acusando-a de espionar, por meio programas e softwares, americanos e empresas americanas.

Ainda em janeiro deste ano, uma comitiva de parlamentares do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, foi à China a convite do Partido Comunista Chinês sob a justificativa de trazer uma tecnologia de reconhecimento facial da empresa chinesa Huawei para o Brasil. Essa tecnologia, segundo os parlamentares que foram à China, serviria para a segurança pública.