Saiba quem é o novo juiz da Lava Jato

Biografia do juiz que irá conduzir a operação Lava Jato em Curitiba.

Lava Jato
 8 de fevereiro de 2019 | 16h23
Por Wilson Borba

Luiz Antônio Bonat, nascido em Curitiba, foi escolhido e nomeado pelo conselho do TRF-4 nesta sexta-feira (08/02) por unanimidade em sessão do Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.

Antônio Bonat tem 64 anos e atua como juiz federal desde 1993. Já exerceu o cargo na 1ª Vara de Foz do Iguaçu (PR), na 3ª Vara Federal de Curitiba, na 1ª Vara de Criciúma (SC) e, recentemente, na 21ª Vara Federal de Curitiba, especializada na área previdenciária.

Foi escolhido dentre 25 candidatos à vaga deixada pelo juiz Sérgio Moro, ocupada interinamente pelo seu substituto, juíza Gabriela Hart. Bonat era o candidato mais antigo. O processo será encaminhado para a Corregedoria Regional da Justiça Federal da 4ª Região que irá determinar a data da posse do magistrado.

Bonat se formou em direito no ano de 1979, pela Faculdade de Direito de Curitiba, tem especialização em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Começou a carreia como servidor auxiliar e técnico judiciário, passando por diretor da secretaria na Justiça Federal de Curitiba, depois logrou o cargo de juiz federal. 

Apontado como grande surpresa, o juiz é conhecido por ter um perfil mais introspectivo, apontado pelos colegas como “tranquilo e “sensato”. Contudo sempre lembrado pelos colegas como simples, discreto, que não tem interesse de se tornar uma celebridade. Foi lembrado, também, por ser rigoroso e particularmente preocupado com o interesse público. Isso faz com o que o magistrado tenha semelhanças a atuação de Moro a frente do cargo na Lava Jato.

Segundo reportagem da Gazeta do Povo, o colega Anderson Furlan, da 5ª Vara Tributária de Maringá, descreve Bonat: “O doutor Bonat é quem está há mais tempo, mas transita entre todos os juízes de forma muito natural, entre novos e antigos. É muito respeitado por todos, e é de uma ‘calma budista’. Em 20 anos que o conheço, nunca o vi minimamente alterado“.

Apesar de sua origem vir da área previdenciária o magistrado tem experiência na área criminal. Bonat conduziu alguns processos do “caso Banestado”, esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, também, foi um dos casos julgados pelo atual ministro Sérgio Moro.

Bonat é coautor do livro “Importação e Exportação no Direito Brasileiro”. O jurista abarca um capítulo no livro no qual discorre sobre crimes relacionados ao comércio exterior, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e cooperação internacional entre órgãos de investigação, similar ao ocorrido com a Lava Jato.

Algumas citações do jurista em relação a crimes do colarinho branco:

Essa criminalidade organizada, denominada colarinho branco, é formada por pessoas de alto nível cultural, integradas nos mais respeitáveis círculos sociais. Por trás dessa máscara de ilibada reputação, […] esconde-se um criminoso com imenso potencial danoso à sociedade, desde que o seu agir contribui para o padecer da população, ante a sonegação de recursos que seriam revertidos em alimento, saúde, habitação, saneamento, em prol da coletividade, em especial aquela carente”.

Ele também discorre sobre a operação Mãos Limpas:
Se se conseguisse um dia privar organizações criminosas de suas possibilidades de colocações financeiras, tirar-lhes-íamos, sem dúvida, um de seus principais triunfos“. O famoso “follow the money”.

Destaca-se, recentemente, em pesquisa a sua página do Facebook, a foto de destaque (plano de fundo) com uma bandeira do Brasil e ao fundo a frase “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, além de menções de apoio a operação lava jato em sua timeline

Um amigo jurista, juiz Anderson Furlan, da 5ª Vara Federal de Maringá, descreve ao jornal Gazeta do povo Bonat:
O doutor Bonat é quem está há mais tempo, mas transita entre todos os juízes de forma muito natural, entre novos e antigos. É muito respeitado por todos, e é de uma ‘calma budista’. Em 20 anos que o conheço, nunca o vi minimamente alterado“.

Fato é: Bonat terá em suas mãos mais de 40 processos em andamento da Lava Jato, dois do ex-presidente Lula. Terá um longo e penoso caminho pela frente. Não será fácil lidar com os meandros de conduzir os casos da Lava Jato. Pelo retrospecto parece ser um magistrado bem alinhado ao propósito de serviço a população, imparcial, justo e severo em mal feitos. Por fim, como efeito adicional, o magistrado não quis conceder entrevista. Parece-se muito com o juiz que substituirá.

Informações: Gazeta do Povo, Folha de São Paulo e Portal G1.