fbpx
Crime » Meio Ambiente
Incêndios criminosos no Pará foram para “loteamento”, diz Prefeito

Conversa entre o Prefeito de Santarém e o Governador do Pará indica ação de grileiros em incêndios criminosos.

02/12/2019 09h00

Áudio obtido pela Repórter Brasil revelou uma conversa onde o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), afirma ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que o incêndio em Alter do Chão foi causado por “gente tocando fogo para depois fazer loteamento, vender terreno” e que essas pessoas contariam com o apoio de policiais. O contato teria sido feito no dia em que um incêndio de grandes proporções atingiu a Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, em 15 de setembro. Confira:

Governador, bom dia. A Sema [Secretária Municipal de Meio Ambiente] municipal já tá envolvida, mas essa área é uma área de invasores, [ininteligível] Tem policial por trás, o povo lá anda armado, o bombeiro só tá com a brigada, o bombeiro não tá indo lá, já falei pro Coronel Tito que precisa ir o bombeiro e combater o fogo, logo, imediatamente, tá muito seco, muito sol e a Polícia Militar, a companhia ambiental, tem que ir junto, armada, para identificar esses criminosos, isso é gente tocando fogo para depois querer fazer loteamento, vender terreno, prender uns líderes desses, esses criminosos aí e acabar com essa situação, mas a gente precisa de apoio do Corpo de Bombeiros“.

A fala do prefeito coloca em xeque o inquérito da Polícia Civil que prendeu na última terça-feira (26) quatro voluntários da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, acusados de terem iniciado o fogo. O áudio também confirma a linha de investigação seguida pelo Ministério Público Federal do Pará, que aponta que o incêndio foi provocado na região por grileiros interessados em vender lotes, e não pelos brigadistas.

Áudio confirmado – O prefeito Aguiar confirmou o envio do áudio ao Governador do Pará. Argumentou, contudo, acerca do conteúdo do recado: “Não afirmei que alguém teria tocado fogo no áudio que mandei para o Governador, falei que é uma área de conflito desde 2015 e que tem uma pessoa foragida. Uma área perigosa, uma área de conflito e que a suspeita do incêndio era criminoso. Eu não sou polícia, sou prefeito, não tenho poder de investigação nem de mandar na polícia“, afirmou.

Questionado sobre a prisão dos brigadistas, Aguiar declarou que como prefeito não poderia interferir em um inquérito da polícia, destacando que a ordem de prisão partiu do Judiciário. “Executivo não tem que interferir no Judiciário”. O prefeito também afirmou que foi um dos primeiros a chegar ao local das queimadas. “Fui o primeiro a chegar na área, encontrei os brigadistas, estavam só eles, umas 10 pessoas. E fomos lá ver se estavam precisando de ajuda, e acionei todo mundo para ajudá-los, sempre mantendo informado o governador, mandando áudios para ele“. Ele disse também que pediu que a Polícia Federal e a Polícia Civil investigassem a grilagem de terras e a especulação imobiliária em Alter do Chão.

Grileiro foragido – Quando pediu acesso ao inquérito da Polícia Civil, o MPF emitiu nota afirmando que, na investigação federal, nenhum elemento apontava para a participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil. “Ao contrário, a linha das investigações federais, que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental em Alter“, diz a nota.

A investigação federal aponta que os incêndios teriam começado em uma área invadida pelo grileiro Silas da Silva Soares, condenado pela Justiça Federal em 2018 e atualmente foragido. O criminoso foi condenado a seis anos e dez meses de prisão além de receber uma multa por instalar um loteamento urbano privado e promover desmatamento ilegal na região do Lago Verde.

Fonte: UOL Notícias.

Advogada. Apaixonada pelo direito ambiental. Viciada em política. Humilde - e levemente sarcástica - proprietária do Blog da Azedinha.