Polícia
Fotos da autópsia em Adriano da Nóbrega indicam queima de arquivo

Fotos do corpo do miliciano ligado à família Bolsonaro foram submetidas à análise técnica. Confira o resultado.

13/02/2020 22h15

Após o confronto com a polícia que culminou na morte do miliciano ligado à família Bolsonaro, Adriano da Nóbrega, foi levantada a hipótese de queima de arquivo. O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais chefiava o chamado Escritório do Crime, ligado às milícias do Rio de Janeiro. Familiares do miliciano já trabalharam em gabinetes dos Bolsonaro, e um dos filho do presidente da República já homenageou o ex-policial militar na Assembleia Legislativa carioca.

A Operação Policial que resultou na morte do miliciano contou com 70 homens equipados com fuzis, carabinas, pistolas, revólveres, espingardas, bombas de gás, drones, coletes e escudos à prova de bala. A Revista VEJA obteve fotos da autópsia feita no corpo de Adriano da Nóbrega, e pediu a avaliação do médico legista Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UNB) e ex-Diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal.

A versão oficial da Secretaria de Segurança da Bahia é de que após reagir à chegada da Polícia, o chefe do Escritório do Crime foi abatido com dois tiros, sendo um de carabina e outro de fuzil, atingindo pescoço e tórax. O ex-PM ainda estaria vivo após se atingido, tendo sido levado ao hospital, a 8 Km de distância do local onde foi encontrado, mas já chegou morto. As fotos comprovam uma parte da versão oficial.

Na avaliação de Malthus Galvão, que ressaltou a necessidade de analisar não apenas as fotos, como também o corpo e as armas utilizadas, para que a conclusão seja mais precisa, alguns pontos merecem destaque:

  • Marcas vermelhas próximas à região do peito – “tatuagem”, na linguagem técnica – que indicam tiros à curta distância. Para determinar se foi uma execução ou não, seria necessário verificar o calibre da arma que efetuou o disparo e da munição usada.
  • Um tiro na região do pescoço que aparenta ter sido dado após o miliciano estar no chão, pois, com base na foto, o legista teve a impressão de que ele foi dado de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse tiro é popularmente chamado de “confere”, ou “tiro de misericórdia”, quando não há intenção de salvar a pessoa. O tiro na região da nuca também apresenta mancha avermelhada condizente com uma pessoa que estava viva antes do disparo.
  • Um ferimento na cabeça indica lesão provocada por um facão, um machado, ou um choque contra a quina de uma mesa, ou mesmo uma coronhada. Além de queima de arquivo, pessoas próximas ao miliciano disseram que ele pode ter sido torturado.

Outro perito, que preferiu não se identificar, também foi consultado pela VEJA, e acrescentou:

  • O disparo na lateral do corpo do miliciano pode ter sido feito após ele estar com os braços erguidos, em sinal de rendição, pois se fosse o caso de troca de tiros, a contusão seria acompanhada de ferimentos também no braço esquerdo.
  • Fez as mesmas observações sobre as marcas de curta distância no peito e a necessidade de se avaliar o todo o contexto de fotos, corpo e armas utilizadas para se ter conclusões mais precisas.

Fonte: Revista VEJA.

#NãoVaiTerGolpe

No último domingo (09), o MBL disponibilizou gratuitamente, por tempo limitado, o documentário “Não vai ter golpe” no youtube. Confira:

Continue lendo…

Advogada. Apaixonada pelo direito ambiental. Viciada em política. Humilde - e levemente sarcástica - proprietária do Blog da Azedinha.