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Política Internacional
Entenda o caso dos empresários que respondem por suicídio de 35 funcionários

Executivos franceses fazem parte de um ‘julgamento histórico’ envolvendo suicídio

16/07/2019 22h05

Um caso envolvendo sete ex-executivos e casos de suicídio entre funcionários da France Télécom tem tramitado na justiça francesa. Nesse momento, o governo questiona-se se “diretores de empresas devem ser responsabilizados criminalmente pelo suicídios de funcionários que alegaram excesso de pressão e assédio no ambiente de trabalho como motivos para se matar?

O caso:

Entre 2008 e 2009, 35 funcionários dessa empresa cometeram suicídio e, muitas delas, alegaram por meio de cartas de suicídio estarem sofrendo assédio e extrema pressão no ambiente de trabalho.

Uma mulher de 32 anos, em um e-mail de despedida ao seu pai, chegou a escrever que não queria mais trabalhar com o novo chefe. A moça jogou-se da janela do quinto andar do prédio corporativo.

Outra vítima, um senhor de 51 anos, deixou  uma nota de suicídio acusando seus chefes de “gerir pelo terror”. “Eu estou me matando por causa do meu trabalho na France Télécom”, escreveu. “É o único motivo”.


Alegação da promotoria:

Promotores franceses acusam o ex-CEO da France Télécom, Didier Lombard, o seu sub Luis-Pierre Wenàs e o diretor de Recursos Humanos Olivier Barberot de “assédio moral institucionalizado”, o que teria como objetivo forçar funcionários a pedirem demissão.

Segundo a promotoria, em 2005 a empresa decidiu diminuir o número de contratados, tendo demitido cerca de 22 mil empregados. Outros funcionários, contudo, não poderiam ser cortados porque eram servidores públicos quando a empresa deixou de ser estatal em 2004; diante da impossibilidade de demissão, então, os executivos decidiram “tornar a vida dos empregados intolerável”. A alegação conta que Lombard teria dito numa reunião de gerentes em 2006 que ele “faria as pessoas saírem de um jeito ou de outro, pela janela ou pela porta”.

Assim, com base na lei sobre assédio moral, a qual introduziu o conceito de “saúde física e mental” na legislação trabalhista francesa, os empresários respondem ao processo.

‘Julgamento histórico’

Segundo a professora Sarah Waters – estudiosa no campo da saúde mental no ambiente de trabalho – da Universidade de Leeds, no Reino Unido, trata-se de um “julgamento histórico”, uma vez que abre um amplo debate sobre o tema.

 “Abre um precedente internacional ao fazer com que os chefes da France Télécom sejam pessoalmente responsabilizados criminalmente por pressionar seus empregados a tirar as próprias vidas.”

“Esse julgamento tem grande implicação para outras corporações do mundo todo, que terão que prestar mais atenção à proteção da saúde mental e do bem-estar de seus funcionários”, disse a professora.

Entusiasta política e acadêmica de Engenharia Química (UFPR) nas horas vagas; liberal na economia e nos costumes. Diretamente da República de Curitiba.