Destaque » Editorial
Dirceu deixa vazar nova estratégia do PT

O petista deu uma entrevista à Rádio Brasil Atual e deixou claro os próximos passos do partido

21/02/2020 15h14

Já se tornou comum ver declarações do ex-ministro José Dirceu incitando uma luta pela retomada do poder. Mas, assim como na primeira vez em que Lula venceu a presidência, agora os petistas planejam mudar a estratégia.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o ex-ministro da Casa Civil afirmou que há risco concreto de autoritarismo no Brasil por parte do governo Jair Bolsonaro (Sem partido).

Dirceu deixou escapar pelos dedos qual será a estratégia petista quando disse acreditar que a sociedade vai se mobilizar contra a perda de direitos, as privatizações e as políticas do governo Jair Bolsonaro.

Ao mesmo tempo em que alerta para um risco concreto de autoritarismo no país, que é demonstrado pelos ataques do governo à imprensa, à cultura, à educação e pela maneira como o presidente trata a oposição, Dirceu abandona o discurso agressivo de quando saiu da prisão.

Para quem não se lembra, nas primeiras eleições de Lula, o discurso era caracterizado por um radicalismo socialista. Somente em 2002 o petista resolveu ser mais moderado, justamente quando ascendeu ao poder.

Hoje, o ex-ministro de Lula deixa claro que a história pode se repetir. Após saírem da prisão em novembro, Lula e Dirceu falavam em alto e bom som da retomada do poder.

Todavia, esse discurso foi sendo deixado de lado gradualmente, começando com o “Lula youtuber”, até chegar nesse novo posicionamento petista: radicalizar o discurso do governo Bolsonaro e se apresentar como via democrática.

Reconhecido por sua inteligência e estratégia, Dirceu já busca se colocar como profeta da vontade do povo, tentando roubar para si qualquer mobilização orgânica que movimente a sociedade contra o governo.

Isso se tornou necessário quando os petistas perceberam, após a saída de Lula da cadeia, que não há aderência tão grande como antes; algo que a caravana do ex-presidente demonstrou bem.

O secretário de comunicação do partido deixou claro que nas redes sociais isso é ainda mais evidente, afirmando que a sigla teme o domínio da direita nas plataformas.

No mesmo dia, petistas tentaram erguer a hashtag “Aqui está a militância do PT” e com muito esforço conseguiram pouco mais de 6 mil tweets, sem conseguir entrar nos trending topics.

Na medida em que as coisas vão se esquentando dentro do governo, o PT tenta fazer o movimento contrário, moderando o discurso e ficando a espreita, aguardando a primeira movimentação orgânica que o partido possa chamar de sua.

Professor de filosofia e diretor de jornalismo do MBL.