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Deputado do PSL diz que ser assediada é um “direito” que “massageia o ego” da mulher

Para o deputado, combater o assédio é coisa de mulher invejosa e frustrada

13/01/2020 15h48

O deputado estadual Jessé Lopes, eleito pelo PSL de Santa Catarina, tentou neste fim de semana criticar uma ação do coletivo feminista “Não é Não!”, que atuará em Florianópolis, no próximo Carnaval, mas acabou falando besteira. Jessé afirmou, em uma postagem nas redes sociais feita no último sábado (11), que o assédio “massageia o ego”.

Ele afirmou ainda que ser assediada é um “direito” da mulher, e que ações de combate a tal atitude são “inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil”. O coletivo feminista em questão estava a pedir doações para a confecção de tatuagens temporárias escrito “não é não” para conscientização contra o assédio sexual. Veja os posts:

Jessé Lopes
Jessé Lopes

Em um dos comentários, uma jovem comentou: “Eu só consigo sentir muito por todas as pessoas que foram assediadas, e leram esse texto. Queria que fosse uma sátira apenas”. Em resposta, o deputado comentou uma foto da garota onde a mesma aparecia com uma roupa decotada, e escreveu: “Nesta foto, não parece que você está muito preocupada com assédio. Inclusive, você é muito bonita. Parabéns”.

Jessé Lopes

A jovem comentou sobre a atitude do parlamentar, na qual ela considera “esdrúxula”. “Não pelo ‘suposto assédio’, mas por ter deduzido que com minha roupa, naquela foto, eu estava propícia ou ‘pedindo’ para ser assediada”, disse ela.

” Eu só queria expor minha empatia para pessoas que já sofreram qualquer tipo de assédio, e recebi uma resposta de alguém que parece ter 15 anos de idade. Me atacando pessoalmente, em vez de argumentar”, escreveu a jovem.

Ao ser entrevistado pelo site NSC Total, o parlamentar disse que as feministas dão “sentido errado e extremista” ao assédio. Sobre a jovem ofendida, ele apenas afirmou que quis “mostrar que estava certo”. Veja a entrevista:

O que o senhor mudou em relação à primeira postagem?

Uma das principais mudanças foi que coloquei o assédio entre aspas, “assédio”. Exatamente por me referir a ele com mesma conotação que muitas delas dão, de forma generalizada, para qualquer ato de investida do homem. Assédio, como crime, não acontece no carnaval…. é uma perseguição de dias, uma importunação da pessoa.

Daqui a pouco vai ter mulher processando homem só porque deu em cima dela, achando que isso de fato é assédio.

O senhor afirma “quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser “assediado(a)”. Mas hoje temos o crime de importunação sexual previsto em lei. As críticas afirmam que seu posicionamento naturaliza um comportamento criminalizado. O que o senhor tem a dizer a respeito?

Eu coloquei entre aspas porque, como falei, muitas dentro do movimento dão o sentido errado e extremista do que é assédio.

Há uma situação específica, em relação ao comentário de uma usuária da rede social, em que acusam o senhor de ter feito um comentário com conteúdo de assédio. O que o senhor diz sobre isso?

Apenas chamei ela de bonita. Exatamente para ver este tipo de reação e mostrar que eu estou certo. Ela comentou em meu texto, se mostrando muito horrorizada. Percebi o tipo de roupa que ela estava usando e entrei no perfil dela e dei print de uma das fotos, onde ela estava sensualizando.

Disse para ela que quem usa roupa assim e expõe nas redes, não está preocupada em ser assediada, seja em qual for o sentido, dar em cima, elogiar ou ser assediada de fato.

Bacharelando em administração pela UFPB.