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Delegado é suspeito de receber propina para obstruir Caso Marielle

PF enviou relatório ao MP/RJ apontando um possível recebimento de propina no valor de R$ 400 mil.

10/11/2019 17h06

A Polícia Federal enviou relatório ao Ministério Público do Rio de Janeiro informando que o delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa deve ser investigado por suspeita de ter recebido propina no valor de R$ 400 mil, para impedir que viesse a tona a identidade dos reais culpados pelo duplo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

O delegado federal Leandro Almada comandou um inquérito com a finalidade de apurar um possível esquema para atrapalhar o andamento das investigações sobre o atentado que vitimou a vereadora do PSOL e seu motorista. No relatório enviado ao MP/RJ, em maio, o delegado da PF relata: “Foram trazidas suspeitas de suposta corrupção envolvendo servidores da Delegacia de Homicídios [DH], especificamente sobre o então chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, e servidores a ele relacionados, notadamente chefes da equipe de investigação da Delegacia de Homicídios”.

“Os fatos [são] merecedores de escorreita investigação, especialmente por investigação de natureza patrimonial, que confirme ou afaste a hipótese de [policiais civis] terem se utilizado dos cargos e da lotação para ganhos ilícitos, haja vista as reiteradas acusações e indícios”, conclui Almada no documento.

O delegado da Polícia Civil investigado pelo recebimento de propina, Rivaldo Barbosa, por sua vez, nega as acusações: “Não há nada disso”, afirmou Barbosa, ao telefone. “Trabalhei muito na DH [Delegacia de Homicídios] e nunca recebi nada de ninguém”, declarou em contato telefônico com o portal de notícias UOL.

O delegado da polícia civil afirmou, ainda, desconhecer qualquer relatório enviado pela PF a seu respeito, bem como o conteúdo de conversas entre o vereador Marcello Sicilliano e o miliciano Jorge Alberto Moreth, que justificaram o início das investigações contra ele. Barbosa não quis comentar sobre o Caso Marielle Franco, mas assegurou que nunca obstruiu nenhuma investigação, e que quem fala em supostas propinas ligadas a ele tem que provar. “Quem fala tem que provar”, disse.

Em conversa telefônica, um dos chefes da milícia que atua em Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, conhecido como Beto Bomba, afirma ao vereador Sicilliano que Barbosa recebeu dois pagamentos de R$ 200 mil cada, por meio de um inspetor da Delegacia de Homicídios da Capital identificado como “Marcos”.

Outro miliciano, Orlando Curicica, também já fez denúncias contra o delegado Barbosa, entre outros agentes, acusando-o de receber dinheiro para arquivar inquéritos de homicídios cometidos pelo grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime.

Ao portal de notícias UOL, o Grupo de Combate ao Crime Organizado do Rio de Janeiro confirmou que abriu investigação com base no relatório da PF. “O Gaeco também ressalta que todas as informações contidas estão sendo rigorosamente checadas e investigadas nos procedimentos relacionados ao caso Marielle Franco e Anderson Gomes que tramitam sob sigilo”.

Advogada. Apaixonada pelo direito ambiental. Viciada em política. Humilde - e levemente sarcástica - proprietária do Blog da Azedinha.