fbpx
Sem categoria
Defensora da “nova política”, deputada-patricinha esperneia por apartamento funcional

Alguém ainda cai na conversa dessa menina?

31/01/2019 20h27

Tem coisas que só acontecem no Brasil. Uma delas é um certo tipo bem característico de fetiche político das elites econômicas, dispostas a conjugar uma pretensa disposição transformadora com vaidade cosmopolita. Um dos exemplos disso é o pseudo movimento “RenovaBR”, que ofereceu bolsas para candidatos de esquerda chic se elegerem no pleito de 2018.

O perfil dos selecionados variou de liberais moderninhos — ampla minoria — até militantes do PSOL; todos receberam, alegremente, os recursos advindos de ricaços abestados com sorriso no rosto e interesses “republicanos”. Uma pequena fração destes foi eleita e, dentre os agraciados com voto, nenhum foi tão incensado pela imprensa como a jovem pedetista Tábata Amaral. E é dela que vamos falar.

Tábata estampou as manchetes nesta quinta-feira por uma situação inusitada. Ao adentrar o apartamento funcional que lhe abrigará nos próximos 4 anos, a jovem deputada encontrou o filho — isto mesmo, o filho! — do deputado Hildo Rocha, do MDB maranhense, estirado no sofá. O congressista nordestino ainda ocupava outra habitação oficial da Câmara. Chocada, Tábata expôs o caso à imprensa, que relatou a aventura da patricinha na maior normalidade. E vejam só: não pretendo criticar a cobertura do caso. Mas sinto que faltou aquela pimentinha… sempre presente na abordagem a figuras da direita.

Tábata é protegida de Jorge Paulo Lehmann. Graças a ele estudou fora, e retornou ao Brasil pronta para compartilhar seus conhecimentos. Mas sabe como é…Tábata estava preocupada em transformar o país! Resolveu gastar os investimentos do magnata com militância de esquerda. E assim procedeu. Ganhou espaço na Rádio CBN , virou capa de revistas de grande circulação e exemplo de “superação” em eventos corporativos. Aderiu à cantilena da “nova política” — termo que pode abarcar qualquer coisa — e lançou-se deputada pelo PDT. Recebeu grana — muita grana! — dos ricaços de sempre e voilá!, virou deputada.

Eleita, manteve o discurso vago de sempre. Sua “nova política” alinhou-se ao coronelato de Ciro Gomes, numa pirueta retórica digna de seu diploma em Harvard. Virou rostinho bonito do neo-brizolismo, ladeada pelo Namorado da Fátima Bernardes; empoderada, poderá defender o velho patrimonialismo brasileiro com headset e keynote num TedTalk na Faria Lima.

Não surpreende sua indignação com o apartamento ocupado. Ganhando R$33 mil por mês, Tábata considera legítimo desfrutar das comodidades do legislativo. Seu discurso de “nova política” serviu pra ludibriar otários com sentimento de culpa — em suma, 99% da elite paulistana. Mas nunca nos surpreendeu. Defensora de um estado grande e arcaico, Tábata é o velho travestido de novo. Na prática, não herda apenas o apartamento de Hildo Rocha, dinossauro do patrimonialismo; herda também sua mentalidade.

Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.