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Contra o racismo, mas contra cotas raciais. Por quê? | Especial MBL

Venha entender o motivo do racismo ser a expressão mais baixa do coletivismo

11/09/2019 20h10

Como todos sabemos, na última semana, a Câmara Municipal da cidade de São Paulo passou por momentos de tensão: Um vereador de esquerda, do PSB, branco, teve a ousadia de referir-se à Fernando Holiday (DEM) como “macaco de auditório”.

As palavras do vereador Camilo Cristófaro logo ganharam notoriedade nas redes sociais. Algumas pessoas classificaram suas palavras como sendo “injúria racial”, outras como “racismo”, já outras, tentaram defender Cristófaro e apenas disseram que foi uma forma do vereador afirmar que Fernando vivia nas redes buscando promover-se e ganhar holofotes. Veja o vídeo:

De qualquer maneira, não é a primeira vez que Fernando recebe injúrias deste tipo. Em outras duas ocasiões, o ex-presidenciável e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), de esquerda, referiu-se ao vereador com os dizeres de “capitão do mato”, termo remetente à época da escravidão, como pode-se ver no vídeo abaixo.

Mas então, é aceitável racismo ou injúrias a partir da raça contra negros (ou qualquer outra raça) apenas por conta de divergências políticas? E ser contra cotas torna-te um “capitão do mato” ou um racista que merece ser desrespeitado? Sobre estas questões responderemos abaixo, a luz da escritora Ayn Rand.

Como bem frisa a autora, “o racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem — é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados”. Concordamos com tal posicionamento.

Contudo, toda essa ideia que “sustenta ‘o sangue bom’ ou ‘o sangue mau’ como um critério moral-intelectual somente pode levar a derramamento de sangue, na prática”, e “assim como não há uma mente coletiva ou racial, também não existe realização coletiva ou racial. Há apenas mentes individuais e realizações individuais “. As pessoas não devem ser julgadas como melhores ou piores apenas por sua origem racial, pois esta não determina sua inteligência ou sua índole.

“Mesmo se fosse provado —: o que não é o caso — que a incidência de homens de poder mental potencialmente superior é maior entre os membros de certas raças do que de outras, isto ainda não nos diria nada sobre nenhum suposto indivíduo, e seria irrelevante para o seu julgamento. Um gênio é um gênio, independentemente do número de retardados mentais que pertençam à mesma raça — e um retardado mental é um retardado mental, independentemente do número de gênios que têm a mesma origem racial”, diz Rand em seu livro “A virtude do egoísmo”

Logo, não é justa a descaracterização ou agressão a alguém por conta de cor, etnia ou raça. Atribuir à cor de um homem ou de um grupo de homens características como “falta de inteligência”, “falta de talento”, “feiúra”, “tendência à criminalidade” e derivados não passa de uma forma baixa de coletivismo que nada prova além do fato da falta de conhecimento e tendência à destruição do indivíduo por parte de quem é responsável pela atribuição.

Deve-se salientar que “historicamente, o racismo sempre aumentou ou decaiu com o aumento ou queda do coletivismo”. Como exemplo disso, temos a ” Alemanha Nazista — onde os homens [tinham] de preencher questionários sobre seus ancestrais, a fim de provar sua descendência Ariana”, e a “Rússia Soviética, onde os homens [tinham] de preencher questionários similares para mostrar que seus ancestrais não possuíam nenhuma propriedade e, assim, provar sua descendência proletária”, distinguindo homens por raça ou origem. Em ambas as nações, que possuiam a mentalidade coletivista, se praticou abertamente as ações tão vergonhosas ligadas à racismo.

Segundo Rand, “Há apenas um antídoto para o racismo: a filosofia do individualismo e seu corolário político-econômico, capitalismo laissez-faire. O individualismo considera o homem — todos os homens — como uma entidade soberana, independente, que possui um direito inalienável a sua própria vida, direito este derivado de sua natureza de ser racional. Ele sustenta que uma sociedade civilizada, ou qualquer forma de associação, cooperação ou coexistência pacífica entre os homens, pode ser atingida somente com base no reconhecimento dos direitos individuais — e que um grupo, como tal, não possui direitos, a não ser os direitos individuais de seus membros”.

Ela defende ainda que “quando os homens começaram a ser doutrinados, mais uma vez, com as noções de que um indivíduo não possui direitos, de que a supremacia, a autoridade moral e o poder ilimitado pertencem ao grupo, e de que o homem não possui significância fora de seu grupo — a consequência inevitável foi começar a gravitar na direção de um grupo ou outro, em autoproteção, perplexidade ou terror subconsciente. O coletivo mais simples para se engajar, aquele de mais fácil identificação — particularmente para pessoas de inteligência limitada —, a forma menos exigente de “pertencer” e de “camaradagem”, é: raça”. Daí o racismo.

Sabendo do fato de que discriminações, isto é, distinções, por cor e raça são altamente desprezíveis, cabe a nós discutirmos também sobre cotas raciais. Rand também chegou a contemplar tais políticas que alguns vêem como sendo uma forma de “ressaciamento” dos negros (e outras raças) pelos anos sofridos de escravidão, agressão e racismo no passado, mas que na verdade nada mais é do que uma nova forma de agressão aos direitos individuais e uma nova forma de discriminação coletivista.

Rand destacou o fato de que, “ao invés de lutar contra o racismo, estão exigindo o estabelecimento de cotas raciais. Ao invés de lutar pelo “daltonismo” nas questões econômicas e sociais, estão proclamando que ele é nocivo, e que se deve tornar a “cor” uma consideração fundamental. Ao invés de lutar por direitos iguais, estão exigindo privilégios especiais de raça”. Ela está correta.

O problema maior da ideia de cotas raciais para negros sob o pretexto de “dívida histórica” dos brancos para com os negros é que ela “exige que os homens brancos sejam penalizados pelos pecados de seus ancestrais”, e “exige que um[…] branco seja recusado [..] porque seu avô pode ter feito discriminação racial. Mas talvez seu avô não tenha feito. Ou talvez seu avô não tenha nem mesmo morado neste país. Já que estas questões não são consideradas, significa que este […] branco deve ser cobrado por uma culpa racial coletiva, a culpa consistindo simplesmente na cor de sua pele”.

Como antes, há um coletivismo sujo, há a destruição total do individualismo em prol de uma hipotética ascendência má que nem ao menos sabe-se comprová-la de fato, e mesmo se a fosse, como antes, deve-se salientar que culpas individuais exigem responsabilidades e punições individuais (e não todo esse senso coletivo que inexiste).

É necessário refletirmos sobe isto tudo, é necessário sabermos que racismo deve ser claramente repudiado socialmente, e que agressões a pessoas pacíficas não devem ser comemoradas, e que escravidão é imoral. Contudo, um pedido de um ressaciamento a uma determinada raça devido aos “pecados” dos ancestrais de outra também é absurdo eticamente falando. Ao aceitar esta ideia de “culpa coletiva”, acabamos por desviarmos da verdadeira punição dos reais culpados.

Por fim, destacamos que os pais não devem pagar pelos erros dos filhos, nem os filhos pelos erros dos pais, mas cada indivíduo deve ser julgado pelas suas ações. Se um indivíduo pratica o racismo e agride, maltrata, mata, escraviza qualquer ser por conta de sua raça, este primeiro deve pagar, não seu filho ou sua descendência.

Bacharelando em administração pela UFPB.