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Economia » Educação
Como má comunicação do governo gerou manifestações em todo Brasil

Vacilaram, Bolsonaro e Weintraub.

16/05/2019 10h10

Na última quarta-feira (15), milhares de manifestantes foram às ruas em todo Brasil para protestar contra o contingenciamento promovido pelo Governo Federal no orçamento das universidades. A atmosfera para as manifestações foram construídas a partir de uma falha de comunicação do governo.

A falta de clareza do governo resultou na má interpretação da medida, o que era um contingenciamento de 3,5% por razões orçamentárias, virou um corte de 30% por razões ideológica. E o maior prejudicado por esse espantalho criado pela má comunicação do governo, é o próprio governo.

Inicialmente, o ministro da Educação Abraham Weintraub, que havia chegado ao cargo há poucos dias, disse que as universidades que estivessem fazendo balbúrdias teriam suas verbas cortadas em 30%. “Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”.

A fala recebeu críticas já que dentro das universidades que encontra-se a tal da balbúrdia, geralmente a bagunça é promovida por grupos e movimentos de cunho esquerdista, e não pela organização da universidade. Além disso, a medida afetaria negativamente professores e alunos liberais e/ou conservadores que crescem cada vez mais no meio acadêmico.

Após o evento, foi definido o contingenciamento de 30% para todas universidades em decorrência da situação fiscal do país. O governo demorou para esclarecer o caráter estritamente econômico da questão, e o pior, deixou transparecer para o cidadão que a restrição seria de um corte de 30% do total da verba destinada às universidades.

O contingenciamento, não corte, de 30% não é relativo ao orçamento total, mas, sim, aos gastos discricionários. Assim, a restrição fica na ordem dos 3,5%. A crise fiscal pela qual passa o país, somada à redução da expectativa de arrecadação do governo, levou à necessidade de reduzir os gastos pelo menos por hora.

Agora, o governo já adotou a narrativa correta, mas parece ter sido tarde demais.

Estudante de ciências econômicas na Universidade de São Paulo e membro do movimento Neoiluminismo. Liberal convicto admirador da filosofia prática kantiana, economia ortodoxa, Hayek e história econômica institucional.