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Arábia Saudita executou 184 pessoas em 2019, maior número em 6 anos

As mortes se deveram aos crimes de “terrorismo”, tráfico de droga e assassinato.

14/01/2020 12h08

A Arábia Saudita realizou o maior número de execuções em seis anos neste último ano de 2019, incluindo três prisioneiros, adolescentes quando presos, por conta de participarem de protestos pró-democracia. No geral, as mortes se deveram aos crimes de “terrorismo”, tráfico de droga e assassinato.

Novos números mostram que, no total, 184 pessoas foram mortas, inclusive um jovem que aos 16 anos de idade ele enviou mensagens no WhatsApp sobre uma manifestação. Abdulkarim al-Hawaj e 36 outros foram executados por meio de decaptação por cometerem o suposto crime de ‘terrorismo’.

Condenar uma pessoa à morte com menos de 18 anos é proibido sob o direito internacional. Apesar disto, os jovens foram executados, apesar da Arábia Saudita prometer não matar ninguém que tivesse estas idades na época do crime.

Já outro jovem foi executado após confessar manter relações sexuais com outros quatro homens em julgamento, ou seja, “morreu por ser gay”. Os números mostram que dos 184 mortos no ano passado, 37 foram condenados por crimes de ‘terrorismo’.

Destes, 24 eram da comunidade minoritária xiita da Arábia Saudita, em particular a cidade de Awamiya, onde protestos da Primavera Árabe se intensificaram no ano de 2011.

Maya Foa, diretora do grupo de campanha Reprieve, pediu aos EUA e ao Reino Unido que apenas permitam as execuções nos “termos mais fortes possíveis”, pois a pressão internacional “pode ​​fazer a diferença”.

Ela afirma que, “de acordo com dados oficiais sauditas, 37 pessoas foram executadas por crimes de ‘terrorismo’ em 2019, mas um olhar mais atento às acusações -desobediência contra o rei, preparando banners com slogans anti-estatais , incentivo via redes sociais- revela quem são realmente esses terroristas”.

Ela acrescentou que “estes últimos números de execução expõem a lacuna entre a retórica reformista e a realidade sangrenta da Arábia Saudita, de Mohammed Bin Salman”.

“Com a cúpula do G20 em Riyadh se aproximando rapidamente, 2020 deve ser o ano em que os parceiros do Reino param de se apaixonar pela ofensiva de charme saudita e insistem no fim desses abusos flagrantes aos direitos humanos e violações do direito internacional”, adicionou.

Os números ainda mostram que 82 foram mortos por contrabando de drogas e 57 por assassinato. O número de mortos em 2019 é mais que o dobro dos 88 prisioneiros mortos em 2014. Dos 184 mortos, 88 eram sauditas, 90 eram estrangeiros e seis de nacionalidade desconhecida, por fim.

As informações provém do site Dailymail.co.uk.

Bacharelando em administração pela UFPB.