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A arapuca de Bolsonaro contra os governadores

Com pronunciamento, Bolsonaro foi para o tudo ou nada contra os governadores.

25/03/2020 12h25

Na noite desta terça-feira (24), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), realizou um pronunciamento em rede nacional sobre o atual estado de calamidade pública para contenção e combate ao novo coronavírus no Brasil.

“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos sim voltar à normalidade”, afirmou Bolsonaro em seu pronunciamento.

Adiante, Bolsonaro relembra que “algumas autoridades estaduais e municipais deviam abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”.

Com essas duas falas, Bolsonaro deixou preparado uma arapuca contra os governadores brasileiros, mas qual?

Obviamente, os governadores serão contra o pedido do presidente, como muitos já se manifestaram. Porém, ficaram duas opções com o desdobramento do confinamento. Se analisarmos, poderemos ter os seguintes cenários:

SUCESSO DO CONFINAMENTO

Seguindo deste pressuposto, caso os governadores não aceitem o encerramento do confinamento, proposta de Bolsonaro, e continuarem os trabalhos de contenção, prevenção e orientando as pessoas para ficarem em casa, no fim de tudo, a crise será de fato superada.

Porém, deverá ser observado as perdas que foram acometidas neste tempo. Perdas como queda da economia, desemprego, fome e aumento da criminalidade. Bolsonaro, portanto, jogará o “ônus” da recessão e desemprego para os governadores, porque não “ouviram seus conselhos”.

FRACASSO DO CONFINAMENTO

Agora, seguindo a outra alternativa imposta, o confinamento fracassa. Nisso, Bolsonaro culpará os governadores pela tragédia, enquanto ele declarava o oposto para ser seguido.

Poderá utilizar de um argumento qualquer para justificar e fortalecer a culpa contra os governadores. “Você trancando as pessoas em confinamento, aumenta as chances de bolhas epidemiológicas e fortalecendo a ação do vírus, partindo do pressuposto que a mortalidade do vírus aumentou, talkey?”, poderia ser uma das alternativas do presidente.

Com isso, o presidente falará que o confinamento falhou, que a recessão voltou e o desemprego aumentou e, portanto, culpará, novamente, os governadores.

Concluindo, Bolsonaro pensa mais na vaidade de sua popularidade do que na necessidade de um país ao afirmar para “saírem e ganharem seu dinheiro”. Infelizmente, o dito conservador se esquece de um principio básico do conservadorismo: “a manutenção da vida”.

Estudante de Engenharia Civil, um nerd apaixonado por cozinha, humor e muito conhecimento. Membro do MBL Brasília e um preguiçoso redator do MBL NEWS