Veja as 14 mentiras de Pazuello na CPI, segundo Renan
A lista pode ser formalizada para que o MPF possa abrir uma investigação sobre os supostos crimes

Segundo o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL) houveram pelo menos 14 mentiras nos dois dias de depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Eduardo Pazuello na CPI da Covid
Eduardo Pazuello na CPI da Covid (reprodução)

A lista abaixo pode ser formalizada na comissão, para que o Ministério Público Federal (MPF) possa, eventualmente, abrir uma investigação pelos supostos crimes de falso testemunho.

14 mentiras contadas por Pazuello, de acordo com Renan Calheiros:

ORDENS DO PRESIDENTE NAS AÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Pazuello, na CPI: “Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada” (…) “Em nenhum momento o presidente da República me desautorizou ou me orientou a fazer diferente de qualquer coisa que eu estava fazendo”.

Segundo Renan, vídeo divulgado em 22 de outubro do ano passado prova justamente o contrário. Pazuello disse na ocasião: “É simples assim: um manda e outro obedece”.

APLICATIVO TRATECOV

Pazuello: “Essa plataforma (TrateCOV), ela não foi distribuída aos médicos (…) O aplicativo – o aplicativo, não, a plataforma, não é um aplicativo – nunca entrou em operação”.

De acordo com o relator da CPI, em 11 de janeiro deste ano, durante evento em Manaus, o Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCov. O lançamento da plataforma foi noticiado, inclusive, na TV Brasil.

DECISÃO DO STF SOBRE AUTONOMIA A GOVERNADORES

Pazuello: “A decisão do STF em abril de 2020 limitou ainda mais a atuação do governo federal nessas ações. Assim, não há possibilidade de o Ministério da Saúde interferir na execução das ações dos estados na saúde sem usurpar as competências dos estados e municípios”.

Segundo Renan Calheiros, em momento algum o Supremo proibiu ou limitou ações federais. A decisão na Ação de Direta de Inconstitucionalidade nº 6341 permite que estados e municípios tomem suas medidas, mas não impede que o Ministério da Saúde tome as suas. O STF já se posicionou sobre o assunto, inclusive.

BRASIL ENTRE OS PAÍSES QUE MAIS IMUNIZARAM

Pazuello: “Hoje o Brasil figura entre os países que mais imunizaram no mundo. Ficamos atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia”.

Para o relator da CPI, trata-se de informação, no mínimo, duvidosa. “Não faz sentido comparar números absolutos. O que importa é imunização percentual, ou seja, quantos por cento da população receberam a vacina”, rebateu o relator no relatório em questão.

FUNÇÃO ANTIVIRAL DA CLOROQUINA

Pazuello: “A cloroquina é um antiviral e um anti-inflamatório conhecido pelo Brasil”

Renan Calheiros, no relatório que será protocolado na CPI: “A cloroquina não é um antiviral nem um anti-inflamatório, e sim um antimalárico, utilizado no combate ao plasmódio da malária, que é um protozoário”.

ZÍKA VÍRUS X CLOROQUINA

Pazuello: “Cloroquina foi usada para o tratamento da zika”.

Segundo o relator da CPI da Covid, “nunca houve administração de cloroquina para pacientes contaminados pelo Zika Vírus. Iniciou-se uma pesquisa em ratos, com resultados que não se replicaram em humanos”.

COMPRA DE VACINA DA PFIZER

Pazuello: “O Governo Bolsonaro não tinha como comprar a vacina da Pfizer sem a autorização do Congresso”.

Conforme o relator da CPI, o presidente da República e Pazuello reclamavam publicamente das cláusulas da Pfizer, mas não citavam a necessidade de uma lei. “Ao contrário, eles retiraram esse dispositivo do anteprojeto da Medida Provisória 1026”, afirmou o senador.

DESAUTORIZAÇÃO DE COMPRA DA CORONAVAC

Pazuello: “Nunca o Presidente da República mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan. Nem por uma vez. (…) O Presidente da República fala também como agente político”.

Pazuello anunciou um protocolo de intenção de compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Um dia depois, porém, o presidente afirmou que o governo federal não compraria “vacina da China”“Já mandei cancelar, se ele assinou”, disse na época Bolsonaro.

TRATAMENTO PRECOCE

Pazuello: “Assim não há possibilidade de o Ministério da Saúde interferir na execução das ações de estado da saúde, sem usurpar as competências dos Estados e Municípios”.

Renan transcreveu o seguinte diálogo entre o Bolsonaro e Pazuello, em 11 de janeiro de 2021:

Pazuello – “Ouvi o Davi falar aqui sobre tratamento precoce, senhores, senhoras, não existe outra saída”.

Presidente – “Você entrou com o tratamento precoce em Manaus, não entrou?”.

Pazuello – “Já está funcionando com a nova gestão”.

CRISE DE OXIGÊNIO EM MANAUS         

Pazuello: “Quando a gente observa os mapas, a gente vê que a White Martins [empresa fornecedora de oxigênio] começa a consumir seus estoques já no fim de dezembro. Então ela tem um consumo, uma demanda, e começa a entrar no negativo, e esse estoque vai se encerrar no dia 13 [de janeiro], quando acontece uma queda de 20% na demanda e no consumo do estado. No dia 15, já voltou a ser positivo o estoque de Manaus”

Segundo Renan, faltou oxigênio na cidade de Manaus por mais de 20 dias. Ofício que a Advocacia-Geral da União enviou ao Supremo Tribunal Federal em janeiro afirma que o governo federal sabia do “iminente colapso do sistema de saúde” do Amazonas 10 dias antes de a crise estourar e faltar oxigênio para pacientes no estado.

Além disso, Mayra Pinheiro declarou à Polícia Federal que foi Pazuello quem a informou da falta de oxigênio em Manaus, em 8 de janeiro.

CONSÓRCIO COVAX FACILITY

Pazuello afirmou que optou por 10% em vez de 50% da oferta de vacinas disponibilizadas pelo consorcio da OMS Covax Facility.

Para Renan, a informação não condiz com a realidade. “O ex-ministro recusou-se a declinar quem tomou a decisão e seus fundamentos técnicos. O consórcio era capitaneado pela OMS, praticamente todos os países já haviam aderido e o Brasil, naquele momento, não tinha perspectiva de outras contratações que justificasse a reserva de valor tão pequeno de doses da vacina”, disse o parlamentar.

AUTORIZAÇÃO DO TCU PARA COMPRA DE VACINAS

Para Renan, o ex-ministro Pazuello afirmou, mas não comprovou, que todos os órgãos de controle interno e externo não recomendavam a assinatura do contrato de compra de vacinas com a Pfizer. No entanto, o TCU publicou nota de esclarecimento dizendo “que nenhum de seus ministros se posicionaram de forma contrária à contratação da empresa Pfizer (…) nem desaconselhou sua imediata contratação”.

PRODUÇÃO DE CLOROQUINA PELO EXÉRCITO

Pazuello afirmou desconhecer que a produção de cloroquina para covid pelo Exército tenha passado pelo Ministério da Saúde.

Para Renan, entretanto, a história foi diferente. “O Ministério da Defesa informou textualmente que foi o Ministério da Saúde que determinou a produção de cloroquina pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército.”

PRESSÃO PARA REGULAMENTAR A CLOROQUINA NO SUS

Pazuello afirmou que nunca sofreu pressões para autorizar o uso da cloroquina no SUS, o que aconteceu com a Nota Informativa nº 17, de 2021, do Ministério da Saúde.

Réplica de Renan: “O Ministro Teich deixou o Ministério por discordar do Presidente quanto ao uso da cloroquina. O Ministro Mandetta também disse ter sofrido pressões no mesmo sentido. Posteriormente, foi noticiado que a Dra. Ludhimila Hajjar não teria assumido o Ministério da Saúde por não haver convergência técnica entre ela e o Presidente. O próprio Ministro Queiroga, que atualmente ocupa a pasta, teve extremo receio de contrariar o Presidente durante seu depoimento”.

Contém informações da/o O Antagonista.
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