Toffoli: Crush por empreiteiras não é de hoje
A reforma que teria sido financiada em sua casa não foi o primeiro escândalo envolvendo o ex-ministro do STF

Abusos praticados por parte do Supremo Tribunal Federal e de seus integrantes não são novidade. Contudo, dentre eles há alguém que se destaca especialmente por seu fetiche relacionado a empreiteiras. Sim, ele mesmo, Dias Toffoli. Um dos caras que votou contra a prisão em segunda instância, recordam? Pois é, acompanhe alguns de seus maiores feitos durante este breve apanhado a respeito da relação pouco convencional que este ministro do barulho possui com empreiteiras de interesses duvidosos que vão dar o que falar nesta Sessão da Tar- Ops, na nossa linha do tempo de hoje.

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2007-2009:
Marcelo Odebrecht realiza pagamentos à Toffoli para que sua empreiteira pudesse ser beneficiada em temas de seu interesse durante o segundo mandato de Lula, como por exemplo o leilão da hidrelétrica Santo Antônio onde graças ao parecer de um subordinado de Toffoli, Odebrecht vence consegue a manutenção da parceria que havia firmado anos antes com Furnas, subsidiária da Eletrobras. Um exemplo mais visceral ainda da asquerosa relação existente entre Odebrecht e Toffoli talvez seja o conjunto de benefícios negociados para a Odebrecht em 2009 referente ao pacote ''Refis da crise.'' Trocas de mensagens mostram lobistas agindo para garantir que a AGU e a Casa Civil (durante o período do segundo governo de Lula) vetassem pontos da MP 449 que fora editada no pacote. Veto teria sido pedido da Odebrecht. Estes fatos só viriam à luz treze anos mais tarde após depoimento de Marcelo Odebrecht, devido a e-mails encontrados no HD de seu computador apreendido pela Polícia Federal em 2015.

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2013:
OAS teria beneficiado financeiramente o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e seu irmão, Ticiano Toffoli. Intitulada “composicaodesembolso-ecano2013.xls”, a planilha elaborada pela “Controladoria de Projetos Estruturados” (um mero eufemismo para o que na realidade seria departamento de propinas) consta que em 2013 (ano em que ocupava o cargo de ministro do STF) a empreiteira teria bancado uma reforma em sua residência. Nela há o seguinte lançamento: “15 mil – reforma
casa Dias Toffoli em 2013”. Em maio do mesmo ano, Léo Pinheiro envia a seguinte mensagem para um de seus auxiliares: “O Ricardo (assessor de Dias Toffoli) me ligou dizendo que lhe pediu um assunto da residência do amigo dele. Pode providenciar”. Três meses depois a reforma foi registrada
nos arquivos secretos da OAS. Em outro arquivo (“ajustes solicitados GRI em 29/10/12.pdf”) também consta a informação de que seu irmão
teria recebido R$ 850 mil em espécie no ano anterior. Estes fatos só viriam a público sete anos mais tarde, após o Grupo de Trabalho da Lava Jato na PGR pedir permissão à Augusto Aras para investigar a relação da familia Toffoli com a OAS em junho de 2020.

2016:
O condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do Petrolão, Léo Pinheiro, resolve soltar a voz a respeito do que viria a ser a primeira delação premiada envolvendo algum membro do Supremo Tribunal Federal. Segundo Léo, Toffoli teria reclamado de uma infiltração em sua casa e ele, Léo Pinheiro, teria enviado uma equipe para resolver o problema. Toffoli confirma que conhece Léo Pinheiro mas nega que a reforma tenha sido realizada.
Quatro anos mais tarde a revista Crusoé revela que nas planilhas da OAS haveria o registro de um repasse contabilizado como '' reforma casa Dias Toffoli'', confirmando assim o depoimento de Léo Pinheiro. Após a descoberta da planilha, os investigadores defendem a reabertura
da apuração alegando a existência de ''robustos indícios'' de que empreiteira tenha custeado a obra na casa de Dias Toffoli.

Tendo em vista que certos membros do Supremo Tribunal Federal (instituição essa que deveria garantir que a Justiça se faça valer em nosso
país) agem com o mais profundo desprezo para com a nossa Constituição e para conosco, só podemos concluir uma coisa: quando a suprema corte é corrompida, inocentes são ameaçados e censurados enquanto criminosos condenados são perdoados após cometerem os atos mais vis.

Você está sendo roubado! O sistema usa o seu dinheiro, abusa de privilégios e cria leis para se blindar. O MBL vai na contramão desse sistema, lutando contra o Foro Privilegiado, Fundão e na defesa da prisão em segunda Instância e reformas. A batalha é desequilibrada, nós só podemos contar com você. Doe para o MBL clicando aqui.
continua em outra matéria