Temendo fim dos privilégios, AGU promove 606 membros ao topo da carreira
Manobra é reação a emendas como as de Kataguiri, que incluem elite do funcionalismo na Reforma Administrativa

Na última sexta-feira (18), a Advocacia Geral da União executou manobra para tentar escapar dos efeitos de emendas como a do deputado federal e líder do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri (DEM-SP), que extingue os privilégios da elite do funcionalismo. De uma única vez, a Instituição promoveu 606 de seus membros ao topo da carreira, com direito a salários de mais de R$ 27 mil.

Embora a AGU alegue que as nomeações foram legítimas e estavam previstas, nunca houve uma promoção em massa nesse nível. Para se ter uma ideia, em 2017, 2018 e 2019 progrediram na carreira, respectivamente, 76, 69 e 81 procuradores. Dessa vez o número de ascensões supera em mais de 6x as do ano passado. É evidente que se trata de manobra para fugir da reforma administrativa e das emendas que visam acabar com privilégios.

A Reforma Administrativa apresentada pelo Governo federal deixa a elite do funcionalismo de fora, mas a pressão de movimentos como o MBL, e emendas como as de Kim Kataguiri, buscam reverter isso, lutando contra o lobby corporativista dentro do Congresso Nacional. Ademais, há proposta de alterações para a progressão na carreira, como o fim da promoção por "antiguidade", o que inviabilizaria, por exemplo, metade das nomeações feitas nesta sexta-feira.

Após essa promoção, do total de 3.783 procuradores da PGF, 3.489 estão na categoria especial, que significa o ápice de suas carreiras. Nada menos que 92% do contingente total, que passa a receber R$ 27.303 por mês cada um. Por sorte, a AGU é a única Instituição que não tem a vinculação das promoções à abertura de vaga correspondente. Do contrário, haveria mais promoções em massa pipocando por aí.

Contém informações da/o Poder 360.
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