Nove executivos são indiciados pela compra do banco de Silvio Santos
Segundo a Polícia Federal, a Caixa pagou R$ 740 milhões pelo Banco PanAmericano, mesmo sabendo que havia um rombo

Nove pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por gestão temerária pela compra do Banco PanAamericano, que pertencia ao apresentador e empresário Silvio Santos, pela Caixa Econômica Federal.

O relatório feito pela PF será encaminhado para o Ministério Público Federal, que decidirá se irá oferecer denúncia à Justiça.

A Caixa comprou cerca de 35% do PanAmericano em 2009, na época do governo Lula, quando já tinha sido divulgado o rombo na instituição.

A Caixa Participações, um braço da estatal, pagou R$ 740 milhões pelas ações do banco que pertencia à Silvio Santos.

Inicialmente foram pagos R$ 517 milhões pelos 35%. Mais R$ 222 milhões foram transferidos após autorização do Banco Central, em 2010.

No relatório final, iniciado na Operação Conclave em 2017, a PF alega que o processo tem várias irregularidades , “além de não terem sido adotadas medidas de prudência para mitigar os riscos inerentes às operações no mercado financeiro, resultando em imenso prejuízo ao erário federal”.

Ainda de acordo com a PF, mesmo após reveladas as fraudes contábeis do Banco PanAmericano, a Caixa Participações “não buscou anular a contratação realizada”.

Entre os indiciados estão Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-presidente da Caixa e membro do Conselho de Administração da CaixaPAR quando da aprovação do negócio, e os ex-diretores da CaixaPAR José Roberto de Oliveira Martins, Marcelo Terrazas e Márcio Percival Alves Pinto,

Além deles, também foram envolvidos na denúncia: Luiz Sebastião Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, e os ex-diretores do Panamericano Rafael Palladino, Luiz Augusto Teixeira de Carvalho Bruno e Wilson Roberto de Aro.

Venilton Tadini, ex-diretor do Banco Fator, responsável por fazer a avaliação da compra, também foi indiciado.

O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da Primeira Região) proibiu a apuração de mais três envolvidos, que não tiveram seus nomes revelados.

O advogado do ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval, Alberto Toron, alega que o indiciamento foi estranho, já que seu cliente já prestou todos os esclarecimentos em um depoimento.

O advogado ainda afirma que não teve acesso aos autos, mas pelas informações que já teve acesso, mostra uma “teratologia, um verdadeiro absurdo”.

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“Se o negócio foi danoso para o comprador, esse é um problema dos gestores da CaixaPAR, não dos gestores do banco vendedor . Só isso já revela o absurdo desse indiciamento indireto”, disse Toron à Folha.

A Folha não conseguiu contato com os outros citados,

Contém informações da/o Folha.
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