Militares prendem presidente e primeiro-ministro do Mali
Revolta de civis e motim em acampamento militar alertam para tentativa de golpe

Nesta terça-feira (18), tropas militares no Mali, África, prenderam o presidente Ibrahim Boubacar Keita e o primeiro-ministro Boubou Cisse no que parece ser uma suspeita de golpe, segundo o presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat. Pelas redes sociais, Mahamat condenou as prisões.

"Condeno veementemente a detenção do Presidente Ibrahim Boubacar Keita, do Primeiro-Ministro e de outros membros do Governo do Mali e apelo à sua libertação imediata. Condeno veementemente qualquer tentativa de mudança anticonstitucional e apelo aos amotinados para que cessem todo o uso da violência e respeitem as instituições republicanas. Eu apelo à #CEDEAO , às Nações Unidas e toda a comunidade internacional para que combinem eficazmente os seus esforços para se opor a qualquer uso da força para acabar com a crise política na África. #Mali", escreveu.

No começo desta terça, possivelmente antes de ser detido, Cisse postou um apelo às tropas, em comunicado nas redes sociais: "O governo pede razão e senso patriótico e pede que o uso de armas seja interrompido. Não há problemas que não possam ser resolvidos com o diálogo". Notícias do Mali dão conta de que hoje multidões saíram às ruas de Bamako, em torno do monumento à independência da capital. Um edifício propriedade do Ministro da Justiça foi incendiado e saqueado.

Os distúrbios na capital do Mali seguiram-se a relatos de uma tentativa de motim pela manhã, em um acampamento militar a 15 km da cidade, confirmado por uma fonte diplomática informada por autoridades locais, que falou sob condição de anonimato, pois não estava autorizada. A fonte disse que a tentativa de motim ocorreu em Kati, no mesmo campo onde um golpe militar bem-sucedido foi lançado em 2012.

O presidente Keita enfrenta um crescente descontentamento público desde maio, depois que o principal Tribunal constitucional do País anulou os resultados das disputadas eleições parlamentares. A decisão abriu caminho para que seu partido ocupasse a maioria das cadeiras vagas. As disputas pelas urnas já geraram violência pós-eleitoral em vários distritos da capital e outras cidades em março. Keita foi eleito presidente do Mali pela primeira vez em 2013. Anteriormente, foi primeiro-ministro de 1994 a 2000.

A União Europeia condenou a ação. "A União Europeia condena a tentativa de golpe em curso no Mali e rejeita qualquer mudança inconstitucional", disse o Alto Representante da UE para as Relações Exteriores, Josep Borrell.
"Isso não pode de forma alguma ser uma resposta à profunda crise sócio-política que atinge Mali há vários meses".

O Comando dos Estados Unidos na África disse estar ciente da suspeita de golpe. O País têm um número limitado de funcionários em Mali, que realizam principalmente atividades de combate ao terrorismo com parceiros locais e internacionais. "Estamos cientes dos eventos em Mali. Todos os membros do serviço dos EUA estão presentes. Continuaremos monitorando esta situação", declarou em comunicado.

Contém informações da/o CNN.
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