Facebook exclui post de Trump por conter fake news sobre a Covid
O presidente dos EUA ainda falou que a "imprensa fake news" só fala da doença

No seu primeiro dia de trabalho, depois de ter passado três noites no hospital militar Walter Reed, o presidente dos EUA, Donald Trump, falou ontem que deseja ir ao debate com Joe Biden, no dia 15, e ainda tentou tirar sua saúde do centro das atenções. Agora o mandatário faz campanha pelo Twitter, pois ainda se mantém em isolamento e impedido de realizar comícios por ainda não estar recuperado do coronavírus.

Um dos assuntos mais mencionados na internet foi o vídeo em que o presidente parecia respirar com dificuldade ao tirar a máscara em frente à Casa Branca. Mas ontem, das 18 mensagens no Twitter, Trump falou do vírus apenas em 3 delas. Numa delas, ele disse estar se sentindo "ótimo". Em outra, chegou a acusar a "imprensa fake news" de só querer falar do novo coronavírus. Só que sua última mensagem foi derrubada pelo Facebook por divulgar uma informação falsa ao comparar o vírus com a gripe.

Só que a maior parte do seu foco foi ter voltado a atacar seu adversário de eleição. Trump contou estar "ansioso" para ir ao segundo debate, porém não dá pra saber se ele estará recuperado ou se ainda será um agente de transmissão. Hoje terá o debate entre os vices dos candidatos. A pedido da democrata Kamala Harris foram instaladas placas de acrílico entre ela e o republicano Maki Pence no encontro em Salt Lake City.

Em uma decisão surpreendente, Donald Trump terminou ontem as negociações com o Congresso sobre um novo pacote de estímulo econômico que foi oferecido no momento da pandemia. De acordo com o presidente, a articulação está suspensa até a eleição. Ele chegou a acusar a presidente da Câmara, a deputada Nancy Pelosi (Democrata), de ser a culpada pelo fracasso.

Essa decisão causou surpresa entre os analistas políticos. A economia é o ponto forte do mandatário e da maioria do povo dos EUA que defende a medida de socorro de US$ 2 trilhões. "Claramente a Casa Branca está em desarranjo", conta Pelosi, que sugeriu que os esteroides que o presidente está consumindo para combater o vírus estão afetando seu pensamento.

Segundo o professor da Universidade de George Washington, Maurício Moura, a estratégia de tirar das manchetes seu estado de saúde pode trazer benefícios a Trump.

"Trump oscilou negativamente nas pesquisas desde sexta-feira, a doença criou insegurança. A campanha pretende mudar a agenda. E a expectativa do partido é que, daqui a quatro ou cinco dias, ninguém fale mais da infecção", afirma o professor.

As informações divulgadas sobre a saúde dele também se tornou mais discreta. Bem diferente dos últimos dias, não teve entrevista coletiva nem atualizações médicas. A única novidade foi um relatório em que o médico Sean Conley apresenta que o líder americano está sem sintomas e com sinais vitais estáveis, com nível de saturação de oxigênio entre 95% e 97%.

De acordo com o New York Times, Trump pensou em fazer um pronunciamento nacional na última terça-feira (06), mas aparentemente descartou a possibilidade. A situação na Casa Branca é de preocupação com a propagação do coronavírus. Ao menos 19 pessoas que estiveram em contato com o mandatário ou que estavam presentes na cerimônia de nomeação da juíza Amy Coney Barrett à Suprema Corte, realizada na Casa Branca há dez dias, foram infectadas pelo vírus.

Enquanto isso, Biden seguiu com a sua campanha. Na última segunda-feira (05), após ter ido para Flórida, o candidato democrata viajou ontem para a Pensilvânia e irá para o Arizona amanhã. Ele disse que pretende comparecer ao debate, porém fez uma ressalva.

"Se ele (Trump) ainda estiver com covid, não deveríamos ter o debate", disse o candidato.

Contém informações da/o O Dia.
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