Entre agiotas e doleiros, o candidato de Bolsonaro na Câmara
Aliado do PT e o nome dos bolsonaristas, Arthur Lira segue na corrida pela presidência da Casa

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) vetou a possibilidade de reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), na presidência da Câmara e Davi Alcolumbre (DEM-AP), no Senado. Com isso, a candidatura do deputado Arthur Lira (PP-AL) na primeira Casa do Legislativo ganhou força.

Arthur Lira
Arthur Lira (Imagem: Adriano Machado/Crusoé)

O parlamentar já havia conquistado os votos de boa parte do bloco do Centrão, agora avançando sobre partidos de esquerda, como o PT e PSB, prometendo ao primeiro combater a Lava Jato, revisar a Lei da Ficha Limpa e ao segundo ressuscitar o assombroso imposto sindical.

Lira também conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que teria demitido o ministro do Turismo recentemente para negociar cargos em troca de votos para o progressista. Dessa forma, partidos da base do governo na Câmara, embora uma base caótica, tendem a engordar o bloco de apoio ao favorito da Casa.

Por um lado, representantes da esquerda ignoram o fato de que Lira é o candidato do Planalto, por outro, a direita bolsonarista fecha os olhos para o extenso histórico do deputado que acumula processos e supostamente teve envolvimento com um agiota e o doleiro presente no maior esquema de corrupção da República.

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Há dez anos, Arthur Lira e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) assumiram a liderança das operações ilícitas da sigla na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, conforme relata o ex-diretor Paulo Roberto Costa, o ex-deputado Pedro Corrêa e o doleiro do Petrolão Alberto Youssef.

Após as eleições daquele ano, o parlamentar foi ao escritório de Alberto Youssef, em São Paulo, pedir dinheiro para pagar dívidas da campanha, conforme imagens das câmeras de segurança do prédio no início de 2011. Youssef, por meio das empresas de fachada MO Consultoria e Empreiteira Rigidez, transferiu R$ 200 mil para a Câmara & Vasconcelos, a pedido de Lira.

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Na planilha de propina de Youssef, o depósito foi identificado como “Band Bn”. “Band” significava “bandido”, enquanto “Bn” era uma referência, de acordo com o doleiro, ao senador Benedito Lira, pai do deputado.

De acordo com o depoimento de Eduardo Freire, investigado por agiotagem, à Polícia Federal, o dinheiro movimentado pelo deputado tinha como fim pagá-lo. O próprio afirma que no final da campanha de 2010, repassou R$ 200 mil em dinheiro vivo a Arthur Lira, a título de empréstimo.

Embora tenham sido coletadas provas materiais, as principais testemunhas do caso eram delatores, argumento utilizado pela defesa do parlamentar. Por causa disso, o STF, liderado pelo ministro Dias Toffoli, considerou que não havia elementos para configurar crime de corrupção, rejeitando assim a denúncia oferecida pela PGR.

Em 2012, quando Lira assumiu a liderança do PP na Câmara, colegas de partido ficaram surpresos com a quantidade e a gravidade dos processos a que responde o parlamentar no Supremo. Na época, ele respondia a oito processos por esquema de fraudes e desvio de R$ 302 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas, além de outros dois processos criminais por ameaça.

Na semana passada, o líder do Centrão estava sendo investigado também por desvio de dinheiro e “rachadinha” na Assembleia entre 2001 e 2007. Documentos mostram que, durante o cumprimento dos mandados, apreendeu-se em uma das residências de Arthur uma planilha denominada de “cheques em aberto a vencer” no total de R$ 1,3 milhão.

De acordo com a denúncia, “o grupo criminoso liderado por Lira também utilizava empresas de terceiros para simular negociações jurídicas e financeiras, buscando operacionalizar o desvio de recursos e ocultar a origem ilícita”.

Como não poderia faltar, o favorito para presidir a Câmara dos Deputados também virou réu na Suprema Corte em ação penal por corrupção passiva.  Os ministros rejeitaram, no entanto, a denúncia por lavagem de dinheiro.

Com uma ficha que surpreende até mesmo colegas de um partido envolvido no Petrolão, Arthur Lira é o nome de Bolsonaro, seu líder informal na Câmara, e agora o novo aliado do PT na luta contra o combate à corrupção. Entre agiotas e doleiros, entre bolsonaristas e petistas, o deputado segue rumo à cadeira da Rodrigo Maia.

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