'Bolsonaro deu rédeas para que a pandemia fosse politizada', diz Mourão
Em entrevista, vice-presidente também endossou projeções de Mandetta sobre pandemia

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, concedeu entrevista à Agência EFE, oportunidade em que falou sobre a pandemia de COVID-19 no Brasil, sobre as críticas que o País recebe com relação à Amazônia, bem como sobre sua visão do Governo. O militar admite que Jair Bolsonaro incentivou a politização da crise de saúde, e rechaça qualquer comparação de sua gestão com outros Governos militares.

Questionado se o comportamento irresponsável do presidente Jair Bolsonaro teria prejudicado o combate à COVID-19 no Brasil, o militar da reserva procurou defendê-lo, embora admita que ele "deu rédeas" à politização da pandemia. "E óbvio que o presidente, ele deu rédeas para que isso fosse politizado, a doença terminou por ser politizada dentro de tudo que está acontecendo no mundo como um todo. O presidente Bolsonaro sofre as críticas por nós sermos um Governo de de centro-direita que substituiu 24 anos de Governo de centro-esquerda. Nós temos a nossa mídia com um viés de centro-esquerda. Mais da metade tem esse viés, então há esse choque, e eu prefiro concluir que as atitudes do presidente não foram responsáveis pelos fatos ocorridos aqui, ao contrário".

Perguntado sobre o fato de o Brasil continuar como 2º colocado no ranking de mais afetados pela pandemia, Mourão destaca que não se deve comparar a gestão da crise de saúde daqui com a de Países como França, Reino Unido e Espanha, com realidades bem diferentes quanto "desenvolvimento, distribuição de renda, capacidade de atuação dos agentes públicos". Destacou medidas para conter a crise econômica, como o coronavoucher, e disse acreditar que o período pós-pandemia só virá com a vacina.

Sobre uma estimativa de quando o País reduziria o número de mortes diárias, o general da reserva destaca os dados levantados pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que isso ocorrerá no final do inverno, por volta de agosto/setembro. Ele se absteve, no entanto, de estimar quantas mortes por COVID-19 o País pode ter até o final do ano. "Eu me abstenho até de fazer esse tipo de cálculo. A última vez que lembro da contagem de corpos foi na Guerra do Vietnã, algo que ocorria diariamente".

O vice-presidente falou sobre o Fundo Amazônia e as conversas com seus maiores contribuintes, Noruega e Alemanha, que suspenderam suas contribuições após divergências com o ministro "de faz de conta" do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Mourão explicou que após a criação do Conselho Nacional da Amazônia as conversas foram retomadas, mas que as duas Nações ainda estão observando a atuação e o compromisso do Brasil com a preservação do meio ambiente.

O militar alertou, contudo, para o que considera uma visão "romântica" que algumas pessoas tem da Amazônia. "Muita gente de fora tem uma visão estereotipada sobre o que realmente acontece dentro da Amazônia. Existem ilegalidades, erros cometidos, nós não negamos isso. Houve o avanço do desmatamento, das queimadas, nós temos de lidar constantemente com a questão do garimpo ilegal, mas vamos olhar que 84% da Amazônia é área preservada. Só de área de conservação e terra indígena são 2,2 bilhões de quilômetros quadrados, é metade da área da União Europeia".

O general da reserva rechaçou a comparação entre o Governo Bolsonaro e a Venezuela na quantidade de militares. "Em qualquer governo, em torno de 2.600 a 2.700 militares estarão presentes para ocuparem cargos de natureza militar, e estão onde esses cargos? No Ministério da Defesa e no Gabinete de Segurança Institucional. Os militares que chegaram ao Governo, a imensa maioria deles, praticamente a totalidade, são oficiais de reserva, que ocupam alguns cargos de natureza civil e estão aí na faixa de 400, 500, quando temos em torno de 14 mil, 15 mil cargos de natureza civil. Chamar isso aqui de Governo militar e comparar com a Venezuela é uma comparação muito fraca, e digo com toda qualidade, até porque eu morei dois anos na Venezuela e assisti ao começo do desmanche do país feito pelo Hugo Chávez e o grupo dele".

Contém informações da/o Agência EFE.
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