"A ideia de furar o teto existe", admite Bolsonaro em live
Está explicado o "puxão de orelha" em pronunciamento oficial de Bolsonaro, Maia e Alcolumbre ontem

Nesta quinta-feira (13), durante sua live semanal, o presidente da República, admitiu que a ideia de furar o teto de gastos do Governo existe, e que vem sendo amplamente discutida por seus ministros de Estados, que procuram formas de aumentar seus orçamentos. Jair Bolsonaro reclamou das declarações de Paulo Guedes e do "pouco patriotismo" do Mercado em resposta ao vazamento dessa informação.

A ideia de furar teto existe, o pessoal debate. Qual o problema? O ministro diz: ‘Presidente, na pandemia, nós temos a PEC de Guerra. Nós já furamos o teto em mais ou menosR$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões?’. Eu pergunto: 'qual a justificativa?'. Se for para vírus, não tem problema nenhum. ‘Ah, mas entendemos que água é para a mesma finalidade. E daí? Já gastamos R$ 600 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bilhões ou não?”, disse o presidente.

E reclamou de seu ministro da Economia: “O Paulo Guedes fala que está sinalizando para o mercado que está furando o teto, dando um jeitinho. Aí o outro lá na ponta diz que não vai aceitar jeitinho. Em vez de ligar, telefonar, isso vaza aqui do nosso meio”, disse, em referência à declaração dada por ele após a decisão dos secretários especiais de desestatizações e desburocratização, Salim Mattar e Paulo Uebel, de deixarem o Governo.

Falou-se em fazer uma consulta ao TCU. Não fizeram, mas o pessoal vem como se estivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto, como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção de arranjar mais R$ 20 bilhões é para a água no Nordeste, é saneamento, é revitalização de rios, é Minha Casa, Minha Vida, é BR-163”, tentou justificar Bolsonaro, citando mais algumas rodovias entregues por seu ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

Novamente reclamou do vazamento da informação sobre a discussão interna acerca da possibilidade de furar o teto de gastos, e a repercussão na imprensa e na Bolsa de Valores, o que chamou de "pouco patriotismo do Mercado". Pelo visto, a reunião seguida de pronunciamento oficial entre Bolsonaro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi um "puxão de orelha" para coibir eventuais manobras do Executivo.

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