Rio Grande do Sul
Vitória do corporativismo na Câmara de Porto Alegre/RS

Apenas 09 vereadores se mantiveram fiéis aos seus valores, sem recorrer a populismos baratos.

03/02/2020 23h05 - Por Camila Greff

Por 23 votos a 09, a Câmara Municipal de Porto Alegre rejeitou o único projeto de Lei positivo no conjunto de propostas apresentadas pelo prefeito Nelson Marchezan Jr. Os sindicalistas, representando a categoria dos cobradores, lotaram o plenário, pressionando os parlamentares contra o projeto que nunca pretendeu demitir ninguém, embora essa tenha sido a narrativa mais veiculada sobre ele.

Por meio de suas redes sociais, o Secretário de Serviços Urbanos da capital gaúcha, Ramiro Rosário, resumiu bem o que ocorreu hoje:

E vale lembrar que a obrigatoriedade é sobre a contratação de novos funcionários, não sobre os que já constam no quadro de serviços de transporte público. O projeto previa apenas a redução da frota a partir de novas contratações, dispensando a necessidade de preencher vagas correspondentes a períodos com baixo movimento, onde as tecnologias já presentes podem substituir a figura do cobrador. Todos os cobradores seriam desligados apenas após se aposentarem, sem previsão de demissão.

Ademais, a previsão de realização de cursos de qualificação não deveria ser um problema de quem trabalha para prestar o melhor serviço de transporte público. E, a justificativa mais campeã dos absurdos veiculados sobre a proposta, o cobrador não é um agente de segurança pública, ele nunca recebeu treinamento para tal. Defender que ele é quem protege o motorista em horários ou locais perigosos é, para dizer o mínimo ingênuo, haja vista que o cobrador acaba se tornando tão vítima da violência quanto o motorista.

A sessão desta segunda-feira (03) foi cheia de corporativismos e populismos de todos o tipo. A quantidade de votos a favor do projeto revela os únicos vereadores com coragem de manter seus pontos de vista, sem medo de serem mau vistos pelos eleitores. Informações veiculadas entre as pessoas que estavam no plenário eram de que, ao perceber que Marchezan perderia, muitos parlamentares mudaram o voto para agradar os cobradores. Populismo do pior tipo.