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Urgente! Guardas da GCM denunciam Secretário de Segurança por intenções eleitoreiras

Entenda como o Cel. José Roberto pode estar impedindo guardas civis de atenderem a ocorrências de crimes na capital paulista

27/01/2020 13h37 - Por Lucas Mehero

Foto: Notíciais Unisanta

Autor: Lucas Mehero

Servidores da GCM (Guarda Civil Metropolitana) afirmam que o Secretário de Segurança Urbana, coronel José Roberto, está ameaçando guardas para evitar que eles atendam a ocorrências. De acordo com os depoimentos, esse comportamento do coronel tem uma motivação estritamente eleitoreira.

Segundo relatos obtidos pelo MBL São Paulo, o Cel. José Roberto está fazendo de tudo para que a PM atenda às ocorrências que deveriam ser atendidas pela GCM, na tentativa de conseguir mais votos de policiais militares.

O efeito imediato das supostas ameaças do coronel pode ser observado através de prints de um aplicativo lançado pela Prefeitura de São Paulo.

A constatação do problema: o aplicativo de segurança da prefeitura

O SP+Segura tenta trazer inovação para a segurança pública em São Paulo

O aplicativo SP+Segura foi lançado em abril de 2018 para a capital paulista. Conhecido como o “Waze da segurança”, o programa traz uma ideia inovadora, onde o usuário tem a possibilidade de enviar informações sobre crimes e perturbações que acontecem pela cidade. Segundo a propaganda do aplicativo, dependendo da denúncia, uma viatura policial poderá ser enviada até o local.

Apesar da ideia inovadora, muitos usuários alegam estarem insatisfeitos com o atendimento oferecido pela plataforma de segurança pública. Diversos relatos e prints de conversas mostram que os atendentes da GCM não estão preocupados em resolver os problemas da cidade. O aplicativo conta com uma baixa nota na Playstore, de 2,8 estrelas.

Muitos cidadãos reclamaram que, ao fazerem uma denúncia, são ignorados pela Guarda, ou simplesmente recebem uma resposta padrão atribuindo a competência à Polícia Militar. Em outros casos, o retorno da GCM consiste em meramente solicitar que o usuário ligue para o 190, ao invés de oferecer uma providência proativa.

Outros históricos de conversa, também oferecidos por paulistanos insatisfeitos, revelam mais um problema no atendimento. Mesmo quando o denunciante informa dados precisos para identificação e localização do crime, a GCM age com irresponsabilidade ao afirmar que a denúncia é incompleta.

O Decreto nº 50.525 de 2009, que dispõe sobre os deveres dos servidores da GCM, determina, em seu artigo 1º, inciso II: “São deveres e obrigações dos servidores do Quadro da Guarda Civil Metropolitana (…): Desempenhar adequadamente suas funções e os trabalhos de que for incumbido, com atenção, zelo, presteza, eficiência e eficácia”.

Infelizmente, segundo relatos de usuários do SP+Segura, o que está acontecendo é justamente o oposto. Ao invés de demonstrar eficiência e proatividade para resolver os crimes denunciados, a GCM negligência os pedidos de ajuda.

Essa conduta de certos agentes da Guarda Civil Metropolitana é criminosa e tem nome: prevaricação. A infração prevista no artigo 319 do Código Penal, se configura quando um funcionário público retarda ou deixa de praticar ato de ofício, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Sua prática pode trazer uma pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em declaração anônima, um morador do conjunto habitacional Nova Luz, região próxima à Cracolândia afirmou estar indignado com a precariedade da assistência prestada: “Tem tanta viatura aqui embaixo, mas quando fazemos a denúncia, eles falam que não têm autonomia”.

Qual o real motivo da prevaricação dos servidores da GCM?

A comandante-geral Elza Paulina e o secretário José Roberto

Em entrevista anônima concedida ao MBL São Paulo, guardas da GCM acreditam que a razão por trás da negligência no atendimento do SP+Seguro decorre de uma motivação eleitoreira.

Um dos servidores entrevistados atribui a responsabilidade ao Secretário de Segurança Urbana, Cel. José Roberto, que, segundo o relato, será candidato a vereador pela cidade de São Paulo neste ano.

“A Guarda Civil Metropolitana é comandada pelo secretário [Cel. José Roberto], que é policial militar da reserva. Pensando em sua eleição, ele impede, através de ameaças de afastamentos e transferências, que os guardas atendam a certas ocorrências. Essa postura é uma tentativa de enaltecer a PM em detrimento dos serviços da GCM, para ganhar votos de policiais militares”, conta.

Segundo o servidor entrevistado, as reclamações no aplicativo SP+Segura se intensificaram a partir maio de 2019, ao mesmo tempo que se iniciou a gestão da nova comandante-geral da GCM, Elza Paulina de Souza.

A comandante, queridinha da Folha de São Paulo por ser a primeira mulher nomeada comandante da GCM, não possui formação em segurança. Segundo os relatos fornecidos pelos guardas municipais ao MBL São Paulo, o Secretário de Segurança Urbana não ameaça diretamente seus policiais. Para isso, ele levaria essas ordens à comandante-geral, de forma que ela ordenasse aos guardas que não atendessem a certas ocorrências.

Outro servidor da GCM afirmou que a comandante Elza despreza as forças especiais, como a IOPE (Inspetoria de Operações Especiais), canil e a IAMO (Inspetoria de Apoio com Motocicletas): “Na última reunião geral essa comandante afirmou, na frente de toda corporação, que repudia as tropas especializadas, que por ela, acabaria com tudo”.

O MBL São Paulo tentou contato com os gabinetes do secretário e da comandante-geral, porém, não obteve resposta. O telefone fornecido pela prefeitura para a Secretaria de Segurança Urbana simplesmente não atende nenhuma ligação.

Clique aqui para ver os prints colhidos pela equipe do MBL São Paulo.

Atualização (28/01): O Cel. José Roberto concedeu uma entrevista exclusiva ao MBL São Paulo, defendendo-se das acusações dos policiais da GCM. Clique aqui para conferir a íntegra.

Revisores: Cynthia Capucho.