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Uma breve analogia sobre o filme O Irlandês e o seu significado na vida

Paraíso, caos, queda e redenção, esses são os alicerces em que se baseiam toda a história, seja ela nos impérios até a vida normal

13/12/2019 08h15 - Por Beatriz Ferrarez

(Imagem:O Irlandês/Reprodução)

O novo filme de Martin Scorsese “o irlandês”, disponível na plataforma da Netflix, trata-se da máfia nos Estados Unidos e como isso interferiu ou esteve relacionado com a política nacional e internacional do país. Além de retratar claramente o paraíso, o caos, a queda e a – quase – redenção dos mafiosos. É um filme brilhante, longo e interessante para ser analisado não como os demais filmes do mesmo gênero, uma vez que, o irlandês não é sobre estar numa máfia somente, porque diversas outras questões nos envolvem, principalmente, a questão familiar.

Scorsese aplicou seu estudo acerca do livro escrito pelo advogado Charles Brandt “I Heard You Paint Houses” (tradução livre: “ouvi dizer que você pinta casas”), que seria um codinome a Frank Sheeran, no longa é interpretado pelo ilustríssimo, Robert de Niro. Jimmy Hoffa fora o chefão da máfia e também o dono do sindicato dos caminhoneiros durante as décadas de 1950 e 1960, interpretado por Al Pacino. Russel Bufalino conhecido como “The Quiet Don” (tradução livre: o Don quieto), por mais que fosse silencioso Bufalino era o mais experiente e de enorme influência, dizem que esteve envolvido com o assassinato do ditador cubano Fidel Castro, Russel é interpretado pelo ator Joe Pesci.

Durante o filme é possível notar o cansaço dos mafiosos e da vida criminosa, já que a velhice vem à tona e acaba que a idade tem uma grande significância em suas vidas. Depois do desaparecimento de Jimmy Hoffa, os criminosos são todos interrogados e condenados, mas não pela suposta morte do sindicalista, tendo em vista que não fora encontrado seu corpo até hoje. A parte do encerramento nos mostra exatamente isso, seus segredos foram enterrados junto de si próprios. Basta observar quando Sheeran mostra uma foto antiga à enfermeira que ali o medica, o mesmo pergunta a ela se conhecera Jimmy Hoffa, então, surpreendentemente, para Sheeran, a enfermeira nem sabe quem seria este. Isso o choca. No entanto, já se foram seus momentos e suas histórias.

A redenção não está presente em Frank, apesar de tentar uma reconciliação com sua filha Peggy que parece reconhecer todos os erros de seu pai e detestá-lo por cometer tantas atrocidades e ainda assim dizer que protegeu suas filhas contra o mundo sujo do qual vivia. Frank em seus últimos momentos com o padre declara não ser possível pedir perdão por ‘pintar casas’, já que não sente arrependimento algum em tê-las feito.

Traçando uma linha linear nesta história verídica, mas que ao mesmo tempo nos mostra distante de uma realidade, pois suas histórias foram guardadas com sigo mesmo. Nunca saberemos o quanto a ganância os cegou ou nos cegou, aponto de acabarmos o filme com a sensação de uma melancolia nos afetou, como quando os investigadores perguntam a Frank já debilitado: “quem você está tentando proteger, todos já morreram, não há a quem proteger”, só que Frank insiste em não declarar nada.

O que você esconde para proteger o meio em que está inserido?
Cabe destacar aqui um cara que vem fazendo um grande papel contra os privilégios e mamatas dos deputados estaduais de São Paulo, Arthur Moledo do Val, mais conhecido como Mamãe Falei. Na ALESP, ontem (04), Arthur quase foi agredido pelo deputado petista Luiz Fernando que partiu para cima de Arthur que estava enfrentando os sindicalistas presentes na Assembleia.

Não somente Arthur, mas também Janaína Paschoal vem denunciando esse tipo de abuso de privilégios. O combate a ser feito não é fácil e é muito perigoso haja visto o que aconteceu com o vereador Fernando Holiday que levou um tiro em seu gabinete no ano passado, por ser favorável a Reforma da Previdência.

Para proteger o meio em que se está inserido, neste caso, sugere a ideia de que a violência seja o meio para se obter seus respectivos resultados, ou seja, acusarão Arthur do Val por ter combatido os privilégios usando um discurso verdadeiro e certeiro, tão certeiro que pode mexer com os ânimos daqueles que mais pregam pela paz, ou assim dizem.

O problema com os privilégios é longo, no entanto, há outros assuntos envolvidos, a proteção que eles querem para que possam continuar a bagunça que sempre foi nesse país, de direitos e mais direitos e nada de responsabilidade com o dinheiro público e, principalmente, com aqueles que suam todos os dias para sustentar suas famílias e para terem uma vida digna. Diferentemente daqueles que protegem atrocidades para continuarem no meio privilegiado.