Rio Grande do Sul
Sobre o impeachment do prefeito de Caxias do Sul

O que levou ao impeachment do Prefeito de Caxias do Sul e os seus desdobramentos.

10/01/2020 19h34 - Por Renan Della Costa

No dia 09 de janeiro de 2020, ocorreu a eleição indireta do novo prefeito, Flavio Cassina, o qual segundo o Jornal O Sul, supostamente teria distribuído cargos a vereadores que votaram em sua chapa. Alegam que a equipe de transição estaria formada desde meados de dezembro de 2019, época em que Cassina era prefeito interino, conforme denunciado pelo do núcleo de Caxias do Sul do Movimento Brasil Livre.

Passados quase quatro anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff , os gaúchos se deparam novamente com o impedimento de um chefe do Executivo, agora, em nível municipal. Embora  defensores do ex-prefeito caxiense Daniel Guerra aleguem que ele foi vítima de um golpe parlamentar pelos vereadores lulopetistas , uma análise do caso mostra que a narrativa não se sustenta.

Conforme reportagem do Jornal O Pioneiro, apesar dos  fundamentos do pedido de impeachment sejam relativos ao ano de 2019, o ex-prefeito teve sete pedidos de cassação em quase três anos , o que demonstra uma relação conturbada com a câmara de vereadores – e inevitavelmente levou ao desgaste do então prefeito. Vale lembrar que ele se elegeu com o apoio de três partidos ,sendo oposição ao governo municipal anterior ,que tinha o apoio de vinte e três partidos.

Entretanto, na câmara municipal , a chapa adversária elegeu dezoito vereadores, a do PT outros dois e a chapa do então prefeito eleito, elegeu dois. Não precisa de muita experiência em análise política para perceber que a vida do prefeito eleito não seria fácil .

Acrescente indisposições com a Câmara de Indústria e Comércio , com a União das Associações de Bairro , com o Conselho Municipal de Saúde e com produtores e agentes culturais . Somado à falta de diálogo, prenunciava que dias piores estavam por vir ao ex- prefeito, que também não tinha bom relacionamento com seu vice, Ricardo Fabris de Abreu. Não podia dar certo – e não deu.

A essa altura, pôde-se perceber que a sustentação do mandato de prefeito estava por um fio. Foi então que o sétimo pedido de impeachment trouxe três denúncias: a não liberação da Praça Dante Alighieri para os freis fazerem as bênçãos ,a não liberação da mesma praça para a Parada Livre e a terceirização da UPA central sem a autorização do Conselho Municipal de Saúde.