Rio Grande do Sul
Sessão que votaria os projetos de Marchezan é adiada por falta de quórum

Sessão extraordinária marcada às pressas, durante o recesso parlamentar, não ocorreu por falta de quórum.

30/01/2020 23h37 - Por Camila Greff

Nesta quinta-feira (30), a sessão extraordinária marcada às pressas pelo prefeito de Porto Alegre/RS, Nelson Marchezan Jr., para discutir projetos voltados para o transporte urbano da capital gaúcha, não terminou de forma exitosa para o Executivo. Agendada durante o período de recesso parlamentar, onde muitos vereadores – e os próprios cidadãos – estariam fora da cidade e impossibilitados de participar do debate, a sessão acabou adiada por falta de quórum.

A primeira derrota ocorreu na forma de participação dos cidadãos. Foi estabelecido pela Mesa Diretora que o acesso ao plenário da Câmara de Vereadores de POA seria restrito. Seis senhas seriam distribuídas a cada vereador, totalizando 216 senhas, e apenas quem portasse uma dessas senhas poderia acompanhar a sessão. Essa determinação foi derrubada via liminar judicial, a pedido do Partido Socialismo e Liberdade, que sempre corre ao Judiciário para chorar suas insatisfações.

Depois disso, os grupos que se formavam do lado de fora da Casa legislativa municipal puderam entrar. Nesse ponto, vale observar que primeiro foram autorizados a entrar representantes de categorias específicas, mediante livre escolha dos presentes aglomerados na entrada, que barravam a passagem de quem não representasse o grupo que eles defendiam. Logo, controlavam qual seria o lado a fazer mais barulho no plenário.

Ao longo do dia, o presidente da Câmara, Reginaldo Pujol, fez algumas tentativas de obter o quórum necessário para a realização das votações, o que não ocorreu. Às 14 horas, os parlamentares tentaram juntar assinaturas para prorrogar o período de espera para até 15 horas, mas nem isso foi possível. Então, o vereador Pujol declarou encerrados os trabalhos, recomeçando novamente a partir das 09 horas de sexta-feira.

Nas manifestações do presidente da Casa, houve gritos e vaias dos presentes, além de xingamentos ao prefeito. Quando Pujol anunciou o encerramento da sessão de quinta-feira, houve comemoração. Observa-se que, em sua ânsia por corrigir as falhas no transporte público, Marchezan conseguiu unir rodoviários, cobradores e motoristas de aplicativos. E todos foram cooptados pelo discurso fácil do PSOL, que promete um mundo maravilhoso de direitos que nunca chegam a se cumprir na prática.

Em ano eleitoral, o prefeito com agenda liberal, que vinha fazendo um excelente trabalho, voltado a parcerias público-privadas e outros investimentos externos, apresentou propostas contraditórias que tornaram a esquerda, ao menos momentaneamente, atrativa a quem se sentiu diretamente afetado por sua taxas. Outro problema que poderia não ocorrer se houvesse mais discussão sobre as propostas.