Pará
Senador Zequinha Marinho critica uma operação do IBAMA

Segundo o senador, ele está trabalhando no intuito de embargar a operação do IBAMA

23/01/2020 21h00

Ontem, dia 23, o senador Zequinha Marinho (PSC) divulgou um vídeo criticando a ação dos agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA). A operação do IBAMA apreendeu aproximadamente 5 mil litros de combustíveis na Vila Mocotó em Assurini, nos municípios paraenses de Anapu e Senador José Porfírio.

Segundo o senador, ele está trabalhando no intuito de embargar a operação do IBAMA, pois o modo como a ação ocorreu foi “de uma truculência sem medidas”, enfatizou Zequinha. Confira o vídeo na íntegra:

De acordo com Marinho, ao se reunir com o presidente do IBAMA, Eduardo Bim, relatou “detalhadamente toda a situação vivida” pelos moradores da região, argumentou que não é trabalho do Instituto fazer “desintrusão de terra indígena”, ainda mais que aquela localidade ainda não é considerada como tal. Além disso, conforme, o senador os agentes ao retirarem as pessoas das terras teriam humilhado os moradores, principalmente, queimando carros, motos, bicicletas e casas.

O senador terminou seu relato sobre a conversa com o presidente Eduardo dizendo que pediu para que o caso fosse apurado de forma minuciosa. De acordo com Marinho, o presidente disse que resolverá essa situação.

Ainda no vídeo divulgado, Zequinha afirma ter entrado em contado com o Governador Helder Barbalho (MDB) dizendo que o governo não deve “através da Polícia do Pará, dar cobertura a servidor bandido, malandro, como esse pessoal do IBAMA”.

Além do mais, enfatizou, que o trabalho do Instituto é multar e fiscalizar e não queimar coisas e humilhar a população. “Carro não é instrumento de crime ambiental, casa não é instrumento de crime ambiental, nós vamos correr atrás de processar essas pessoas”, afirmou Zequinha. Segundo ele, o Governador garantiu que irá investigar as ações dos agentes e, se confirmada a ilegalidade das ações, suspenderá a parceria da polícia do estado com o IBAMA.

Sobre a apreensão dos combustíveis, o IBAMA, se pronunciou dizendo que eram usados para abastecer máquinas que faziam o desmatamento ilegal da região, além disso, segundo o Corpo de Bombeiros os postos, que estavam de maneira clandestina, eram um risco para a vida da população.  

Quem também se pronunciou foi a Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente no Pará (Asibama/PA), publicando uma nota de repúdio a fala do senador. A nota diz que: “Os servidores do Ibama, aqui representados pela Asibama/PA, vem contrapor tal atitude e apresentar fatos concretos à sociedade. Na terra indígena Ituna/Itatá (municípios de Senador José Porfirio e Altamira), onde é realizada a operação que o senador acusa de cometer ilegalidade, vivem índios isolados e tem restrição legal de uso (Portaria Funai nº 50/2016 e Portaria Funai nº 17/2019). Foi alvo de 13% de todo o desmatamento da Amazônia no último período PRODES (agosto de 2018 até julho de 2019) e já tem, em janeiro de 2020, mais de 1 mil hectares de desmatamento ilegal embargados pela equipe que o senador acusa de ‘bandidos e malandros’. A TI Ituna-Itatá já perdeu 23% de suas terras para o desmatamento”. Confira a nota na íntegra:

Logo após a operação, a população revoltada incêndio uma ponte e cortaram a energia elétrica da Vila no intuito de bloquear a passagem dos agentes do IBAMA a região.

Ponte incendiada para bloquear a entrada dos agentes. Fonte: G1.