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Segundo pesquisa, quase metade dos frequentadores da cracolândia comete roubos para comprar drogas

Pesquisa aponta mais de 1.680 pessoas por dia no local e uma movimentação de R$9.7 milhões por mês

03/02/2020 17h34 - Por Antonio Glenio

Foram divulgados nesta segunda-feira (03), os dados de um balanço realizado pela Unidade de Pesquisas de Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) sobre a cracolândia, localizada no centro da cidade de São Paulo, em relação a 2019.

Segundo o balanço, o local apresenta média diária de 1.680 frequentadores, e movimenta mensalmente cerca de R$10 milhões. E como é de se imaginar, praticamente metade dos frequentadores da cracolândia (46%) compram drogas com dinheiro de roubos e furtos.

A maioria deles, são homens com uma média de 36 anos. Mais da metade vem de fora de São Paulo. Outro dado que se repete há alguns anos, é que a maioria dos frequentadores está em situação de rua, representando 62%, mas praticamente 80% deles estavam em suas residências ou de familiares antes de irem para a cracolândia.

Um dado que assusta é em relação à saúde mental das pessoas. Segundo a pesquisa, quase 60% deles já tiveram surtos psicóticos e 40% já tentaram cometer suicídio. No entanto, apenas 15% tem referência de algum profissional da assistência social e/ou saúde.

Dentre as motivações apresentadas pelas pessoas para continuarem no local, a primeira delas é a disponibilidade de drogas (31,2%), a segunda é a segurança entre os pares (20,4%), a terceira é o preço (16.4%) e a quarta a liberdade para o uso (14,8%).

Na pesquisa, também foi perguntado se teria algum motivo que os faria deixarem a cracolândia, e quase metade deles (44%) declarou que, se tivessem um emprego, sairiam de lá. Nesse momento a máxima de Ronald Reagan “o melhor programa social é um emprego” se encaixa perfeitamente.

Em 2017, o então prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), que abandonou a prefeitura em 2018, declarou que a cracolândia havia “acabado”. Hoje percebemos que foi apenas mais uma das mentiras que o tucano distribuiu, assim como ele garantiu que não largaria a prefeitura nas mãos de Bruno Covas (PSDB), que hoje fracassa igualmente na questão da cracolândia.

Revisores: Felipe Donadi.

Fonte: G1