Goiás
Represa se rompe em fazenda de Pontalina (GO) e causa destruição

24 residências da cidade foram atingidas pela força da água e 29 pessoas afetadas. Polícia civil aponta falha humana na construção da barragem da represa.

06/01/2020 09h13

Local onde a represa se rompeu, no córrego Jataí (Foto: André Costa/O Popular)

Uma represa na Fazenda São Lourenço das Guarirobas na zona rural do município  de  Pontalina (GO) cuja barragem se rompeu, no último sábado (4), comportava 340 milhões de litros de água. É o que aponta o major Simões, da Defesa Civil Estadual. A água destruiu casas, deixou desabrigados, alagou ruas. Além disso, o abastecimento de água e energia elétrica na região também foi afetado.

O Corpo de Bombeiros resgatou, no início da noite de sábado (4), uma família que ficou ilhada por cerca de cinco horas. Eles ficaram presos em um elevado de terra no meio do Rio Meia Ponte após o rompimento da barragem, que deixou também um casal desabrigado.

Uma força-tarefa constituída pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) com o propósito de mitigar danos causados pelo rompimento de barragem. Equipes da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), profissionais da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Companhia Saneamento de Goiás S/A (Saneago), equipes do Corpo de Bombeiros, Comando de Policiamento Ambiental da Polícia Militar, Comando de Policiamento Rodoviário da PM e Defesa Civil estão no local desde que ocorreu o acidente.

Na manhã deste domingo (5) técnicos da Semad comandaram sobrevoo panorâmico na região para identificar possíveis danos causados pelas enchentes. Equipe da Goinfra  realizou nova avaliação das duas pontes abalroadas pelas águas. A GO-215 segue aberta ao tráfego, enquanto a GO-040 continua interditada até que seja feita avaliação mais detalhada.

Crime ambiental

Além da alta precipitação de chuvas, o delegado Luziano de Carvalho, da Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema), afirma que houve irregularidades na construção da barragem. Ele explica que algumas obras, que foram feitas sem consulta a um profissional, não poderiam ter sido realizadas no local.

Há, por exemplo, o extravasor (esse invertedor lateral) que foi parcialmente tampado. E para quê isso? Para aumentar o represamento. Consequentemente, vem a chuva e esse espaço que deveria ser maior não comportou e a água acabou passando por cima. Não temos dúvida de que esse foi um dos motivos do rompimento dessa barragem”, afirma o delegado.

O delegado caracteriza o dano ambiental como “explícito” e diz que a linha de investigação pode abranger a ‘materialidade culposa’. Ou seja: quando não há intenção. “Não há crime na moralidade dolosa, ninguém ia fechar isso intencionalmente. Quando fechou possivelmente pensou em usar a água para irrigação, dessedentação de animais e nunca pensando que haveria o rompimento. Portanto, houve negligência. Pode, também, ter havido imperícia na própria construção e então é um crime ambiental, por exemplo, destruir matas ciliares, cobertura vegetal, a supressão dessa vegetação na modalidade culposa”, ressaltou.

Danos em Pontalina

Segundo o major Renato Simões, da Defesa Civil, o rompimento da barragem causou estragos pela cidade, mas que o mais contribuiu para as mais de 9 horas que a cidade se manteve embaixo d’água foi o alto volume da chuva.

Isso ocasionou algumas cheias em lagos da região, resultando em água invadindo as casas. Ocorreu o comprometimento do abastecimento de água nas residências do município. Agora o trabalho da Defesa Civil e dos demais órgãos responsáveis é monitorar toda a região da barragem para que não tenhamos novas ocorrências”, acrescenta Simões.

De acordo com o major, levantamento realizado pela corporação mostra que 24 residências da cidade foram atingidas pela força da água e 29 pessoas afetadas. Duas delas estão desalojadas. Apesar de tudo isso, o major tranquiliza e afirma que, até o momento, a situação na cidade está “normalizada.”

Química Industrial, Tatuadora, Desenhista, Cristã Reformada e aspirante a Teóloga.