São Paulo » Transporte
Pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo PT é alvo de investigação contra fraude nos ônibus

Jilmar Tatto foi presidente da SPTrans nas gestões dos ex-prefeitos Fernando Haddad e Marta Suplicy. O petista já apareceu em delação premiada de Nestor Cerveró como recebedor de “propina”

21/01/2020 20h48 - Por Lucas Mehero

Jilmar Tatto/ Foto: Veja

O pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto (PT), é alvo de investigação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) que averigua supostas fraudes e formação de cartel envolvendo concessões de ônibus da prefeitura da capital paulista.

O MP-SP abriu o inquérito civil nesta quinta-feira (21), no sentido de investigar eventuais irregularidades nos editais de licitação para contratar o novo serviço de ônibus na cidade de São Paulo. Em resposta, a prefeitura afirmou que “considera estranha a abertura de um inquérito, ou falar de ‘irregularidades’, quando a licitação está suspensa e sob análise do Tribunal de Contas”.

Esse novo edital de licitação da prefeitura foi aberto em outubro de 2015, para escolher a empresa responsável pelo transporte público de São Paulo pelos próximos 20 anos. O processo está suspenso desde novembro do ano passado, por decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM). O Tribunal apontou quase 50 infringências, impropriedades e irregularidades.

Jilmar Tatto é o principal alvo da ação do MP-SP. Ele presidiu a SP-Trans durante a gestão Marta Suplicy (MDB) e Fernando Haddad (PT).

O petista tem um passado intrigante: em 2013, sua mulher, Adli Tatto, sócia de Moacir Fernando Reis, um dos servidores da prefeitura na gestão Fernando Haddad, foi investigada junto a Moacir por um suposto desvio de R$ 1 bilhão.

Segundo o MP afirmou na época, Adli, juntamente com Moacir, eram sócios em diversos negócios que estariam sendo usados para praticar lavagem de dinheiro. 

Em 2016, o ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, em delação premiada, afirmou que Tatto foi um dos recebedores das propinas arrecadadas na diretoria de Mercado Consumidor da BR distribuidora.

Segundo Cerveró, em uma reunião ocorrida logo após as eleições de 2010, ficou acordado que a propina arrecadada na diretoria do Mercado Consumidor seria destinada à bancada do PT na Câmara. Ficou acertado que o dinheiro seria distribuído entre cinco deputados do partido, sendo um deles, Jilmar Tatto.

Em 2017, a família Tatto, formada pelos irmãos Jair (vereador), Arselino (vereador), Enio (deputado estadual) e Nilto (deputado federal), gastaram R$ 1 milhão em verbas de gabinete em uma gráfica ligada a um parente.

Os irmãos contrataram a Fábrica Sete Gráfica e Editora em pelo menos 183 oportunidades em 2011, sempre pagando com verbas públicas. A gráfica pertencia a Anderson Labb, cunhado de Veronica Lurdes Tatto Lab, irmã dos quatro ex-parlamentares.

A recente investigação do MP-SP sobre as concessões de ônibus em São Paulo é apenas mais uma dentre as diversas falcatruas que envolvem o nome de Jilmar Tatto. Mais uma vez, o Partido dos Trabalhadores conta com mais um candidato de reputação sombria e índole questionável para a prefeitura de São Paulo.