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São Paulo
O tormento da poluição sonora em São Paulo

Surgindo como mais um problema causado pela intensa urbanização da cidade de São Paulo, a poluição sonora afeta a paz e a saúde de milhares de paulistanos.

14/09/2019 00h54 - Por Fábio Ferreira Filho

O trânsito é um dos maiores vilões da poluição sonora na cidade de São Paulo (Foro:Getty Images)

A poluição sonora vem assombrando e consequentemente afetando os moradores de São Paulo. Apenas no ano passado, o PSIU (Programa de Silêncio Urbano), programa da Prefeitura de São Paulo que tem como função tornar mais pacífica a convivência entre os cidadãos, além de atender preceitos constitucionais, recebeu 33 mil reclamações referente a poluição sonora. Dos ruídos incômodos, 90% são produzidos por veículos. Logo, os mais afetados com esse problema são os cidadãos que vivem próximos à avenidas e ruas muito movimentadas. Tal problema já é recorrente e conhecido, mas ganhou destaque por conta do “Ear Parade”, uma exposição de arte urbana, promovida pela Fundação “Otorrinolaringologia”, que pretende chamar atenção para a saúde auditiva.

Um levantamento feito pela Associação ProAcústica apontou que o ruído dos carros de uma rua ou avenida movimentada podem alcançar 75 decibéis. Com a presença de motos e caminhões, o nível de ruído pode chegar a 90 decibéis, algo extremamente nocivo à saúde física e psicológica. Além do barulho causado pelas vias, estabelecimentos comerciais, indústrias, escolas, faculdades, igrejas, bailes funk e festas contribuem para a poluição sonora da cidade. O destaque da cidade de São Paulo é o Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, que apresenta facilmente números maiores que 75 decibéis (20 a mais que o indicado pela OMS), algo semelhante a um secador de cabelo ligado por um longo período.

Podem ser atribuídas à poluição sonora: Zumbidos, dores de cabeça, estresse, desvio de atenção, agressividade, irritabilidade, insônia, e até mesmo problemas sérios, como aumento do índice de infarto, pressão alta, diabetes e lesões irreversíveis nas células do ouvido interno que podem ocasionar a perda auditiva.

Algumas medidas que competem à prefeitura para amenizar o problema são, por exemplo, remanejar o fluxo, trocar a frota de ônibus tradicionais por ônibus elétricos e incentivar o uso de meios alternativos de locomoção. E as que competem ao indivíduo são, dirigir pacificamente, evitar acelerações desnecessárias, usar a buzina somente quando necessário e manter o bom estado de conservação dos veículos.

Em São Paulo o PSIU atua para combater esse problema e promover o cumprimento da lei que proíbe a emissão de ruídos produzidos por quaisquer meios ou espécies com níveis superiores aos determinados pela legislação federal, estadual ou municipal. De acordo com o programa, ass denúncias podem ser feitas discando o 156, pelo portal da prefeitura ou nas subprefeituras. Para que a ação tenha maior eficácia, é importante que o reclamante informe o endereço completo do estabelecimento que está provocando o incômodo, o horário de maior incidência de barulho e o tipo da atividade exercida. O denunciante deve se identificar fornecendo o nome completo, o endereço e o telefone, sendo estes dados mantidos sob sigilo.

Revisores: Rodrigo Vieira, Felipe Donadi, Cynthia Capucho