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Novo Pacto Geracional

Geração dos anos 90, a primeira dos brasileiros nascida no berço da liberdade.

12/11/2019 22h33 - Por Gabriel M. Machado Loureiro

(foto:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Generation_War.jpg)

A Geração 90, aquela que nasceu no período do início dos anos de 1990 e hoje já se encontram quase em seus trinta anos de idade, começa a ganhar protagonismo no cenário brasileiro. Nascidos após a queda do Muro de Berlim em 1989 e fim do longo período de hostilidades da Guerra Fria, essa geração viveu um momento onde o Brasil já se encontrava redemocratizado após a promulgação da “Constituição Cidadã” da República Federativa do Brasil de 1988 e em um governo democrático a partir da eleição de Fernando Collor de Melo e Itamar Franco (Após a renúncia do mesmo depois da instauração de seu processo de Impeachment no Congresso Nacional).


Hoje, o novo “mindsetting” livre e empreendedor dessa geração, que passou seus primeiros dias de existência em um momento onde o país vivia seus primeiros momentos de liberdade e segurança jurídica que se teve após o longo período de Regime Militar, está refletindo na nova forma de pensar do povo brasileiro, uma vez que ganham cada vez mais predominância na sociedade, mercado de trabalho, mundo empresarial e vida política.


Pode-se atribuir através de uma análise daqueles que viveram essa geração de que essa liberdade empreendedora, tal como as poucas amarras ao conservadorismo e tradicionalismo político, que por sua vez são marcas claras da sociedade brasileira, em prol de um modo de vida mais baseado na cultura americana, proeminentemente disseminada no Brasil dos anos 90, que são frutos dos tempos vividos por essa geração, assim como o clima de paz, esperança, liberdade, desenvolvimento social e econômico, que passou a predominar a partir do fim das tensões mundiais impostas pela disputa ideológica entre a Socialista e Comunista União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (USSR) e a Democrática e Capitalista Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). A partir da vitória das democracias capitalistas ocidentais as mesmas se consagraram como a visão hegemônica, não penas politicamente, economicamente e socialmente, mas também culturalmente, uma vez que o modo de vida apresentado pelas produções de Hollywood ao mundo acabaram por influenciar as gerações vindouras na grande maioria dos povos do mundo.


A Geração 90 nasceu e viveu sua infância e juventude em um mundo que celebrava a liberdade, paz e esperança em dias melhores, que educava suas crianças para viverem em um mundo globalizado e em pleno momento de desenvolvimento econômico. Um período saudável de grande competitividade, imediatismo e ansiedade, trazidos especialmente pela inclusão dos desenhos nas televisões e jogos tecnológicos, em fliperamas e consoles, japoneses e americanos, que proporcionaram momentos felizes e de entretenimento, individual e coletivo, a toda uma geração. Viveram os momentos de “natal coca-cola” com a neve que nunca viram, sonhos com os arranha céus de New York e de viverem o American Way of Life dos Estados Unidos, auge das propagandas das marcas e empresas na televisão brasileira, vivenciando a popularização dos computadores, da internet, do POP americano, dos novos esportes como skate, surfe e todos os tipos de artes marciais.


Esses jovens não cresceram com medo em regimes militarizados ou sob ameaça de conflitos com nações e visões autoritárias, mas sim em um “Estado Democrático de Direitos” onde tiveram concretizados seus direitos e seguranças jurídicas, em um momento histórico onde “nunca antes na história de desse país” se vivera tão bem, ou se teve tanta esperança no “país do futuro”. Essa geração crescendo se preparando para tornar realidade o sonho de construir aqui e na atualidade, uma nação futurista, desenvolvida economicamente e socialmente.

Os “noventistas” esbarraram, porém, na política tradicional brasileira, velha e dividida entre conservadores e revolucionários, ambos corruptos e ineficientes que arrastaram o país de volta a um momento de conflitos sociais e a partir da distribuição de privilégios as classes dominantes e dominadas, mergulhando a nação em uma profunda crise econômica, política e social. Como parte de seu “mindsetting” jovem, já tinham incluso o f***-se a política, as tradições, o que os mais velhos pensam e até mesmo a sociedade em si e acreditavam que nada que fosse externo a eles poderia afeta-los. Estavam errados e podemos ver isso claramente na atualidade.

A partir da ausência de um pacto geracional, os jovens da Geração 90, que sempre tiveram instintos de competitividade, imediatismo e ansiedade aflorados, continuaram rivalizando entre si, dividindo-se em grupos para defesa de inúmeras causas, bandeiras, pensamentos ideológicos e tudo mais que lhes foi possibilitado através da globalização. Esse processo quase sempre ocorreu com as mais diversas gerações, porém foi infinitamente mais forte e presente nessa, uma vez que o advento e popularização da internet permitiu que esses jovens tivessem acesso a todos os tipos de informações, conhecimentos e possibilidades, ampliando quase que infinitamente o leque de opções. Para os mais esforçados, transformou-se em uma ferramenta de aprendizado constante e até mesmo em um maravilhoso difusor de todos os tipos de ideias e movimentos.

A necessidade de um pacto geracional é urgente, uma vez que independentemente de posicionamento político, ideológico, poder econômico, situação social, viés religioso ou formação cultural, todos os jovens estão sendo prejudicados pelo pensamento conservador /revolucionário, velho, retrógrado e antiquado, daqueles que em seu tempo viveram constantemente a polarização mundial, desrespeito as liberdades individuais, insegurança jurídica e os mais estrupidos conflitos que levaram apenas ao atraso no processo de progresso político, social e econômico das nações do mundo. Não é através de constantes atritos que se melhora a condição de vida das populações mundiais, mas sim da colaboração internacional, tal como a expansão das democracias e liberdades individuais e coletivas. Uma união dos jovens, independentemente de posição política é imperativa, uma vez que em todos os segmentos os jovens são impedidos de levar progresso aos seus respectivos campos de atuação por aqueles de pensamento velho, retrógrado, conservador, contaminados por corrupção e que enxergam apenas através da conquista ou distribuição de privilégios.

Em uma nação de juventude unida, provavelmente veríamos muito mais discussões rumo ao progresso, que independentemente de suas ideologias e bandeiras, guiariam o mundo para um caminho globalizado, com muito menos burocracia, privilégios e corrupção, transformando o mundo a partir do debate saudável de ideias e causas, colocando-o em um caminho de profundas transformações políticas e desenvolvimento socioeconômico.