Pará
MPF indicia Vice-Governador do Pará por integrar organização criminosa

Vice-governador é suspeito de desviar dinheiro por meio de fraude em licitações

09/01/2020 17h12 - Por Vinícius Vinholte

No dia 8 de janeiro (ontem) o Ministério Público Federal, indiciou o Vice-Governador do Pará Lúcio Vale (PR) por organização criminosa, cujo principal método de acordo com a denúncia era desviar dinheiro por meio de fraude em licitações. Ainda de acordo com o MPF foram 10 os municípios paraenses que tiveram dinheiro desviados.

A verba que essa organização desviou era principalmente destinada a compra de merenda escolar, foram identificados também desvios na saúde e assistência social. Esse esquema ocorreu de 2013 a 2017 usando empresas de fachada para fraudar as licitações, no total foi desviado R$ 39,6 milhões dos seguintes municípios: Viseu (R$ 31.877.107,15), Ipixuna do Pará (R$ 1.986.331,88), Mãe do Rio (R$ 1.795.542,23), Cachoeira do Piriá (R$ 1.597.546,64), Marituba (R$ 1.401.152,60), Santa Maria do Pará (R$ 687.075,32), São Miguel do Guamá (R$ 223.011,24), São Caetano de Odivelas (R$ 88.148,30), Ourém (R$ 16.101,58) e Marapanim (R$ 14.850,96).

A denúncia assinada por 15 procuradores tem embasamento em investigação iniciada em 2017 que culminou ano passado em mandato de busca e apreensão na residência do Vice-Governador, durante a segunda fase da operação Carta de Foral, intitulada de Vissaium. Na época, em nota, o governador Helder Barbalho (MDB) disse que o Governo do Estado tinha “plena confiança no esclarecimento dos fatos e na Justiça”.

As operações constataram e dividiram o esquema em grupos distintos. Um grupo político que participavam membros do Partido Liberal (PL), outro empresarial coordenado por David Gonçalves Marialva, além do grupo formado por agentes públicos como gestores municipais e afins.

Atuavam também no grupo político os irmãos do Vice-Governador, Cristiano Dutra Vale, atualmente deputado federal e ex-prefeito de Viseu, e Leonardo Dutra Vale atual prefeito de Cachoeira do Piriá. O atual prefeito de Viseu, Isaías José Silva Oliveira Neto, também fazia parte.

O último era constituído por empresas de fachada e os laranjas, intitulados de testas de ferro, que eram trabalhadores que orquestravam as ações fraudulentas e para onde iriam os pagamentos por vantagens obtidas.