São Paulo
MP-SP abre investigação contra líder de João Doria na Alesp

O deputado já apresenta outros três processos de improbidade administrativa na justiça

02/02/2020 21h33 - Por Antonio Glenio

Na última sexta-feira (31), o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação contra o deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB). A investigação é por suspeita de improbidade administrativa por causa de uma lei de autoria do deputado que beneficiou uma empresa a qual ele é acionista. Carlão Pignatari é o líder do governo de João Doria (PSDB) na Assembleia do estado de São Paulo (Alesp).

A lei de autoria do deputado promoveu uma mudança na política estadual de medicamento que tornou praticamente impossível a venda do FDG (18F), usado pelo Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas. O InRad se tornou o principal concorrente da Indústria Brasileira de Farmoquímicos (IBF), empresa a qual Carlão possuí ações, e por isso, teria sido beneficiada. Pela aprovação da lei, o Hospital das Clínicas cogita o fechamento do InRad.

Com o caso vindo a público, o deputado foi intimado em uma investigação preliminar a prestar explicações em um prazo de 30 dias, porém, até o momento, ele não respondeu ao ofício.

Carlão, um dos aliados mais próximos de João Doria, já é um velho conhecido da justiça. Ele responde a outras três acusações de improbidade administrativa, sendo condenado em duas delas.

Em 2013, o MP-SP o acusou de ter doado um terreno para uma empresa da chamada “Máfia do asfalto”, que teria fraudado licitações em 78 municípios. O processo se deu no âmbito da Operação Fratelli. E ainda segue em tramitação na justiça.

Em 2015, o deputado foi condenado a cinco anos de perda de seus direitos políticos e pagamento de multa por participação no caso da “Máfia das sanguessugas”, que envolveu fraudes na compra de ambulâncias. No entanto, ele ainda recorre em segunda instância, ou seja, a condenação ainda vai demorar.

E ano passado foi mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a condenação por improbidade na época que ele era prefeito da cidade de Votuporanga. A condenação determinou seu afastamento de qualquer função pública e proibição de contratar a administração pública por cinco anos.

Provavelmente, os eleitores de João Doria, não o colocaram no posto de governador para ter como líder na Alesp alguém como Carlão, que apresenta processos e condenações em seu currículo. Carlão representa o que tem de mais podre na política brasileira: o uso do cargo público para benefício privado. O patrimonialismo está enraizado na cultura política brasileira, e se alguém pensava que isso só ocorria nos corredores de Brasília, Carlão está aqui para provar que ocorre muito mais próximo do que se imagina. E João Doria, apesar de não apresentar envolvimento com os casos, demonstra leniência com os processos de Carlão.

Fonte: Estadão.

Revisores: Felipe Donadi e Cynthia Capucho.