Segurança
Motoristas de aplicativos em risco

Recentes ondas de violência contra a categoria no DF causam preocupações

03/02/2020 16h28 - Por Marcos Johnny

Os motoristas de aplicativos de transporte vêm sofrendo com a insegurança que atinge a categoria no Distrito Federal e entorno. Recentemente esses motoristas se reuniram para protestar depois de mais um caso de violência este ano.

Em menos de um mês, dois motoristas de aplicativos foram assassinados, um deles, Aldenys da Silva, de 29 anos, estava desaparecido desde o dia 3 e foi encontrado morto no dia 18 na BR 070. Outro que também perdeu a vida foi Maurício Sodré, que teve seu corpo encontrado na área rural da Granja do Torto.

Na manifestação, a categoria pediu que as empresas adotem medidas mais rígidas de identificação dos passageiros. Na quinta-feira, um motorista de aplicativo, de 41 anos, foi encontrado amarrado dentro do porta malas do carro ao lado da linha férrea na estrutural. O que ressalta a indignação dos trabalhadores com a falta de segurança na cidade.

“Nessas horas de agonia, você não sabe a notícia que vai chegar… logo você já pensa nisso de ter tirado a vida. Mas graças a Deus isso não aconteceu.”, afirma familiar do motorista.

Sobre as reivindicações dos motoristas, a Uber informou que a segurança é prioridade e que a empresa sempre busca por meio da tecnologia oferecer o melhor serviço possível ao motorista. A 99 pop informou também que o aplicativo investe em Sistemas e ferramentas de proteção e atendimento imediato.


A posição das empresas sobre a segurança  

Em nota ao G1, a empresa 99 deu as seguintes explicações sobre seu investimento em segurança:

  • Como formas de prevenção antes das chamadas, a companhia mostra aos motoristas informações sobre o destino final, a nota do passageiro e se ele é frequente — além de exigir que todos os passageiros incluam CPF ou cartão de crédito.
  • Durante o trajeto, ferramentas como câmeras de segurança e compartilhamento de rotas estão disponíveis. Depois das viagens, uma central telefônica 24h para emergências oferece apoio imediato em caso de necessidade.
  • Inteligência artificial: a empresa possui uma série de IAs que atuam em conjunto por meio de machine learning. Elas vasculham padrões de comportamento suspeitos em poucos segundos no ato da chamada e adotam medidas automáticas, que incluem bloqueios e confirmação de dados. Isso é definido a partir de uma série de combinações que, juntas, indicam riscos, como o histórico do usuário na plataforma, horário da chamada, forma de pagamento, entre outros.
  • Zona de risco: o aplicativo faz um mapeamento de áreas de risco e envia aos motoristas notificações quando a começa ou termina nelas. O levantamento é feito utilizando estatísticas internas e dados externos das Secretarias de Segurança Pública. Essas áreas são dinâmicas e o motorista pode escolher cancelar as corridas caso o alerta apareça.
  • Câmeras de segurança: a 99 possui câmeras embarcadas nos carros e conectadas à sua Central de Segurança, uma equipe de profissionais especializados, disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana. As câmeras possuem um botão de emergência para casos de necessidade.


A Uber também se manifestou sobre o caso:

  • O aplicativo exige do usuário que quiser pagar somente em dinheiro que insira o CPF e data de nascimento, dados que são checados na base de dados do Serasa. A ferramenta que faz essa verificação, denominada U-Check, foi anunciada em julho deste ano, como primeiro projeto entregue pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico instalado pela Uber em São Paulo — o primeiro da empresa na América Latina, com foco em segurança.
  • A informação sobre essa opção de pagamento também é exibida na tela do aplicativo de quem está atrás do volante antes que o usuário entre no carro, assim como a região do destino final e a nota do usuário no aplicativo. Também está em teste em Salvador e em diversas cidades do País a opção do aplicativo em que o motorista pode escolher não receber chamadas para viagens com pagamento em dinheiro.
  • Na Uber, todas as viagens são registradas por GPS. Passageiros e motoristas sabem que há registro das viagens. No app, o passageiro pode ver sua rota, a localização do carro e se o motorista está seguindo para o destino certo, durante todo o trajeto.
  • Durante cada viagem, tanto os motoristas parceiros quanto os usuários estão cobertos por um seguro da Uber para acidentes pessoais.


Nas ruas não é difícil encontrar motoristas que já passaram por situações de risco. “Já tentaram me assaltar. É complicado a gente sai para trabalhar e não sabe se volta para casa”, diz a profissional da categoria, que cobra também, do poder público, mais políticas de segurança voltadas para a área.

A segurança do DF pede socorro.


Fonte: G1.