Manifestação
Mesmo pacífico, membro do MBL Brasília é ameaçado por manifestantes de esquerda

O ato é público, em local público, mas é privado para alguns…

15/01/2020 12h37

Aconteceu no fim da tarde ontem, terça-feira (14), o ato contra o aumento do preço das passagens organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL). O ato aconteceu na Praça do Compromisso na Asa Sul.

O ato contou com a presença de 300 pessoas, dentre eles, o deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF) e inúmeros movimentos de esquerda. Contraditoriamente, não faltaram bandeiras com o rosto de Marielle Franco, manifestantes pedindo a derrubada do Estado e “socialistas light” brincando com as bicicletas e patinetes capitalistas.

Antes ainda do seu auge, algumas pessoas se concentraram no meio da praça para praticar e entoar gritos pró-ato. Nisso, no chão ainda eram confeccionados alguns cartazes, um em especial exaltando um “sindicalismo revolucionário”.

O ato seguia de forma pacífica até que Paulo Rocha, membro do MBL Brasília, foi reconhecido pelos manifestantes e nisso foi gerado um tumulto e concentração de pessoas ameaçando, insultando e expulsando-o da praça. Ofensas como “fascista” não faltaram e acusá-lo de provocar e causar confusão também não.

Ainda antes da manifestação, Paulo havia combinado com Bruno Wilker, coordenador de redes do MBL Brasília, que iria ao ato para fotografar e gravar de 2 a 4 vídeos para o perfil do MBL no Instagram. Vídeos ao estilo MamãeFalei estavam fora de cogitação e a ideia havia sido descartada.

Paulo estava em um local consideravelmente afastado da manifestação gravando vídeos quando foi abordado por um homem que o reconheceu do MBL. Nisso, outras pessoas começaram a se aproximar e o expulsando da manifestação. No entanto, Paulo começou a falar que “[aquilo] era um ato público em local público”, “eu não quero confusão”, “estou aqui apenas para documentar o ato”; porém, quando uma moça com camisa da UNE tentou fazer menção que a presença dele carregava fatores que poderiam gerar problemas, Paulo apenas perguntou: “O fator é o preconceito ou o fato de eu ser do MBL?”.

Se inicialmente, o objetivo era apenas ser pacífico e documentar o ato, após a chegada de manifestantes com a camisa do PCO, as ameaças e insultos aumentaram. Nisso, ao perceber que dois repórteres (Band e RedeTV) estavam filmando a confusão, principalmente quando alguns manifestantes levantaram pedaços de pau e cano, fazendo menção a uma provável agressão. Ele decidiu deixar a confusão ser filmada e ainda apontou para as câmeras para mostrar que eles estavam passando vergonha e se contradizendo em seus discursos. Um homem até esboçou uma tentativa de agressão, mas foi contido.

A confusão, ao todo, durou cerca de 3 minutos. Porém, ao se afastar dos manifestantes andando de costas, um homem de camisa preta tentou acertar um forte tapa em sua nuca, porém, Paulo percebeu o movimento e esquivou. “Quase, viu?…”, falou uma mulher próxima.

Parece que o discurso de paz e amor morreu nas eleições de 2018.

Momentos antes de se retirar, Paulo (a direita, camisa azul) sendo ameaçado por manifestantes armado com canos (Foto: Metropoles/Divulgação)

Nota do autor: Nunca houve paz e amor nos movimentos de esquerda. O que há, é apenas um cerceamento de pessoas que podem participar da brincadeira, ou seja, dos atos e manifestações. Mesmo lembrando que o local era público, as pessoas tomaram para si o lugar e não aceitaram uma pessoa que pensa diferente. Agora, falando como cidadão, seja como membro do MBL ou pessoa, sou contra o aumento da tarifa de ônibus, porém, com uma ideia diferente de como contornar a situação. Nisso, as pessoas preferiram recorrer para atos covardes, tais como ofensas e ameaças, quando deveria ter havido um diálogo civilizadamente.

Estudante de Engenharia Civil, um nerd apaixonado por cozinha, humor e muito conhecimento. Membro do MBL Brasília e um preguiçoso redator do MBL NEWS