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Má administração por parte do órgão mantenedor de creches em SP, deixa professores e funcionários desempregados

A associação Ação Comunitária Paroquial do Jardim Colonial Pe. Emir Rigon, que administrava creches, foi denunciada por possíveis desvios de verbas

08/02/2020 17h23 - Por Rodrigo Vieira

Na última quinta-feira (6), pais, alunos e funcionários do CEI Conjunto Habitacional Teotônio Vilela I foram pegos de surpresa com a notícia de que um novo órgão mantenedor ficaria responsável pela unidade. A antiga associação que administrava a creche Ação Comunitária Paroquial do Jardim Colonial Pe. Emir Rigon, perdeu a participação na unidade devido a denúncia de possíveis desvios de verba da unidade. O CEI Arraial do Tijuco também recebeu a mesma denúncia.

Os funcionários e professores que já estavam sem seus pagamentos desde dezembro, agora, pagam a conta de uma má administração com os próprios empregos. O descaso parece não ter fim, pois segundo relatos de funcionários do CEI, eles já avisaram que não terão dinheiro para pagar a rescisão dos funcionários.

“Não é de hoje que nossos salários são atrasados. Tinham funcionárias que estavam recebendo todo dia quinze, outras, dia cinco […] era meio que sorteado a funcionária pra receber atrasado. Nós nunca assinamos papel de férias, não recebíamos férias antes dos três dias que antecediam as férias em si, e o nosso salário de dezembro ainda não recebemos e não temos previsão de quando vamos receber”, contou a funcionária da creche.

A funcionária disse a equipe do MBL – São Paulo que esteve no local, que o novo órgão mantenedor já sabia da mudança, porém, nada foi comunicado previamente, tudo foi feito de repente e diante dos pais e das crianças. As manhãs que são sempre cheias de risos e brincadeiras, foram marcadas por choro e tristes despedidas.

Muitos pais e mães de crianças matriculadas na creche reclamaram da mudança repentina. A mãe, Danuze Silva Oliveira, e sua filha Brenda, que têm pouco mais de dois anos, está matriculada no CEI desde o ano passado. Danuze nos relatou que sua filha estranhou muito a troca dos professores, além de ter observado um número reduzido de professores na unidade.

“Eles trocaram as professoras e não comunicaram nada pra gente, e não tem a quantidade certa de professores na sala. Um professor pra receber a criança quando ela chega à sala e outra pra acolher as crianças que já estão dentro da sala, não esta tendo isso”, comentou Danuze, em relação à sala em que sua filha foi direcionada.

Outra mãe, Tatiane Martinez Duram, que tem duas filhas, Alice de três anos e Esther de pouco mais de um ano, matriculadas na mesma creche, deixa claro sua insatisfação com a situação que estão passando, tanto os pais quanto as crianças.

“Tem muita coisa para esclarecer que ainda não foi esclarecido aos pais, pedimos uma reunião para conhecermos os novos funcionários (que ainda não conhecemos), e a reunião só será daqui a quinze dias”, relatou Tatiane.

As creches que perderam seus convênios com os mantenedores, CEI Conjunto Habitacional Teotônio Vilela I e CEI Arraial do Tijuco, agora serão administrados pela Ondacaima (Organização Nacional de Defesa da Criança do Adolescente do Idoso e do Meio Ambiente). De acordo com o novo coordenador da primeira creche citada, Wilson, a instituição tem experiência na área, pois já atua há 15 anos em creches e abrigos.

Segundo o coordenador, eles também foram pegos de surpresa com a situação. O coordenador disse que os professores que estão atuando na creche agora, vieram de outra unidade, pois não havia tempo para organizar uma equipe e eles tiveram que tomar providências emergenciais para atender as duas unidades que foram afetadas.

“A DRE (Diretorias Regionais de Educação) enviou no Diário Oficial no domingo (2). Nós ficamos sabendo que iríamos assumir a creche na terça-feira (04), que foi o dia que nós viemos aqui. Quem deveria ter avisado as meninas era o mantenedor antigo mas nem ele sabia que tinha perdido o convênio pois ele estava viajando”, afirmou o coordenador sobre a antiga administração que foi denunciada.

Ele também disse que foi dada a oportunidade para as professoras serem recontratadas pela Ondacaima. Entretanto, segundo informações das próprias funcionárias, elas teriam que pedir demissão da antiga administração para que fosse efetuada a recontratação. Pelo fato de muitas funcionárias terem até seis anos de registro elas não queriam perder seu tempo de casa, muitas não aceitaram o acordo.

Em relação à denúncia, ela foi feita com base no artigo 68 da portaria nº 4.548/17, que estabelece normas para a celebração e o acompanhamento de termos de colaboração entre a SME (Secretaria Municipal de Educação) e organizações de sociedade civil, visando à manutenção em regime de cooperação mútua de Centros de Educação Infantil (CEI). Contatada pela equipe do MBL-São Paulo, a Ação Comunitária Paroquial do Jardim Colonial Pe. Emir Rigon, antigo administrador das CEIs Conjunto Habitacional Teotônio Vilela I e Arraial do Tijuco, não quis prestar nenhum esclarecimento.